Posições ideológicas: como um mesmo candidato pode transitar em diferentes espectros políticos.

Por: Lorena Ferreira.

Ao falar em política, uma das primeiras associações a serem feitas é pensar no espectro ideológico entre esquerda e direita. A esquerda é comumente associada aos que defendem maior igualdade social, ampliação de direitos, políticas redistributivas e maior atuação do Estado. Enquanto a direita, aos que priorizam liberdade econômica, propriedade privada, redução do Estado e valores mais conservadores.

A realidade, porém, é muito mais complexa, abrangendo espectros para além das extremidades. Centro-esquerda, centro, centro-direita e diferentes combinações de posições econômicas, sociais e culturais. E é justamente ao tentar encaixar políticos e governos brasileiros em uma dessas caixas que algumas contradições aparecem. Um dos melhores exemplos é Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula é o principal líder do Partido Trabalhista (PT),  historicamente identificado com a esquerda brasileira. O PT nasceu ligado ao movimento sindical, às lutas trabalhistas e a uma agenda de transformação social. Por isso, seria equivocado classificá-lo como um político de direita.

Contudo, dizer que Lula é, em todos os sentidos, um político de esquerda também pode ser uma simplificação daquilo que é muito mais complexo.

Na série de podcasts "A Máquina", produzido pelo Jornal Folha de São Paulo, o historiador e comunicador Jones Manoel, faz uma provocação acerca da ideia de que Lula represente a esquerda radical ou mesmo uma esquerda de transformação estrutural. Em 2022, Jones chegou a definir Lula como o "centro democrático" do país, fazendo uma distinção entre o petista e aquilo que considera propriamente um projeto de esquerda.

Uma das confusões mais comuns do debate político brasileiro é acreditar que, se alguém está em oposição à direita, automaticamente pertence à esquerda. Não necessariamente.

É possível que um ator político defenda políticas sociais, programas de transferência de renda e valorização do salário mínimo e, ao mesmo tempo, preserve elementos importantes da economia de mercado, busque equilíbrio fiscal, faça alianças com setores empresariais e negocie com partidos de centro e centro-direita.

É justamente aí que aparece a diferença entre identidade partidária, posição ideológica e prática de governo.

O governo Lula é construído sobre uma ampla coalizão. No Congresso, sua governabilidade depende da negociação com partidos que vão muito além do campo tradicional da esquerda, inclusiva em sua maioria, oposição a bancada governista. Levantamentos recentes mostram a importância do Centrão na sustentação política do governo.

Isso não transforma Lula em um político de direita, mas é ponto essencial para compreender por que seu governo não pode ser analisado como se fosse a aplicação de um programa de esquerda radical.

Em 2003, o então ministro-chefe da Presidência da República, Luiz Dulci, já explicava que o PT era um partido de esquerda, mas que o governo Lula era resultado de uma aliança política mais ampla e, portanto, poderia ser compreendido como um governo de centro-esquerda.

Para Jones, a questão não é negar a diferença entre Lula e a extrema direita. Pelo contrário, ele afirma que Lula e Bolsonaro não são equivalentes. Sua crítica é que derrotar a extrema direita não significa, automaticamente, implementar um projeto de esquerda.

É justamente esse tipo de crítica que ajuda a compreender o espectro político para além da polarização "Lula versus Bolsonaro". Porque, se toda política que se opõe ao bolsonarismo for automaticamente classificada como esquerda, eliminamos do debate uma enorme zona intermediária da política brasileira.

Uma análise publicada em setembro de 2026 pela GZH reuniu especialistas que posicionaram Lula no campo da esquerda, embora a própria reportagem destaque a tensão entre essa classificação e elementos como a política econômica e as alianças com o Centrão.

Porém, ao entender "esquerda" como um projeto de transformação mais profunda das estruturas econômicas e sociais, Lula pode ser compreendido como um político de centro-esquerda, ou até como uma liderança que ocupa o centro do sistema político brasileiro em determinados momentos.

O próprio Lula já afirmou, em diferentes momentos de sua trajetória, que não gostava de ser rotulado como um político de esquerda e que preferia falar em um caminho de equilíbrio e negociação.

Lula representa uma esquerda institucionalizada e pragmática, construída ao longo de décadas de disputa eleitoral e negociação política. Seu projeto não é revolucionário. Não propõe a superação do capitalismo. Seu governo opera dentro das instituições existentes e procura conciliar diferentes interesses sociais e políticos.

Isso explica, inclusive, por que Lula consegue conversar simultaneamente com movimentos sociais, trabalhadores, empresários, partidos de esquerda e setores do centro político.

Entre maioria e minoria: a posição ocupada por mulheres nas eleições. 

Por: Lorena Ferreira 


A democracia brasileira enfrenta uma grande contradição, em que as mulheres são maioria entre os eleitores, mas continuam sendo minoria nos espaços de decisões políticas.

As mulheres participam das votações, campanhas, trabalhos em partidos e movimentos sociais, e até mesmo em militâncias que sustentam, muitas vezes, uma candidatura. Contudo, ao olhar diretamente para os cargos eletivos, a imagem é majoritariamente masculina.

Essa diferença não se trata só dos números. A representatividade demonstra-se essencial porque a política define prioridades, distribui recursos e estabelece quais problemas serão considerados urgentes pelo Estado. Quando determinados grupos estão sistematicamente ausentes desses espaços, suas experiências também correm o risco de serem marginalizadas.

É inegável que o Brasil avançou. A criação de mecanismos de incentivo à participação feminina e as regras de financiamento eleitoral contribuíram para ampliar o número de mulheres candidatas. Mas números de candidaturas, não demonstra efetiva representatividade. Uma mulher pode estar formalmente na disputa e, ainda assim, receber menos recursos, ter menor estrutura partidária, menos tempo de exposição e enfrentar obstáculos que homens não enfrentam na mesma proporção.

Ademais, há um problema que precede as eleições: quem disputa as eleições em condições reais de vencer?

A política continua sendo um ambiente marcado por estruturas de poder construídas historicamente pelos homens. As mulheres que entram nesse espaço precisam, muitas vezes, lidar simultaneamente com a falta de recursos, uma jornada tripla com trabalho doméstico, a violência política de gênero e a resistência e preconceito dentro das próprias estruturas partidárias.

Também é essencial superar a ideia de que a presença de mulheres na política é uma pauta exclusivamente feminina. Representatividade é uma questão democrática, que envolve toda a população.

Historicamente, as mulheres são responsáveis por implementarem a maior parte das políticas de gênero, cuidado, saúde e educação; tema intrínseco a todos.

O desafio para as eleições atuais, portanto, não é simplesmente colocar mais mulheres nas urnas. É criar condições para que elas tenham chances reais de chegar ao poder e exercer seus mandatos com autonomia. Mas isso é uma via de mão dupla, é necessário que as ao menos, as próprias mulheres incentivem e elejam candidatas mulheres.

Porque mulheres já participam da política brasileira há muito tempo. O que ainda falta é que o poder político brasileiro reflita, de forma mais fiel, a sociedade que ele pretende representar. E que a população trabalhe, cada dia mais, para desenraizar essa cultura de votos majoritariamente masculinos. 

A educação brasileira em números

Por: Matheus Kennedy

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 mostrou avanços na educação básica pública brasileira em comparação com 2023, mas o crescimento ocorreu de forma desigual entre etapas e estados. O indicador considera tanto as taxas de aprovação quanto o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), a média nacional da rede pública passou de 5,7 para 6,1. Nos anos finais (6º ao 9º ano), subiu de 4,7 para 5,0. Já no Ensino Médio, o avanço foi menor: de 4,1 para 4,3.

Entre os estados com melhores resultados, destacam-se Paraná e Ceará no Ensino Fundamental. Ambos registraram crescimento no desempenho do Saeb próximo à média nacional. Goiás permaneceu entre os três primeiros colocados nos anos finais do Fundamental e no Ensino Médio, etapa novamente liderada pelo Paraná.

Por outro lado, persistem grandes desigualdades regionais. Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia, Amapá e Pará, que já estavam entre os cinco piores resultados nos anos iniciais, continuaram nas últimas posições. Nos anos finais, Amapá, Sergipe, Bahia e Rio Grande do Norte, além de Roraima, aparecem entre os piores desempenhos.

No Ensino Médio, o Distrito Federal ficou na última colocação, enquanto o Rio de Janeiro (deficiente em diversas áreas) permaneceu entre os três piores. São Paulo também perdeu posições, apesar de seus estudantes terem mantido ou melhorado as notas. O cenário indica que, embora o Brasil tenha avançado no Ideb, ainda precisa reduzir as desigualdades e ampliar a aprendizagem, tomando como referência experiências bem-sucedidas de estados como Paraná, Ceará e Goiás.

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A condenação do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusado de assédio e importunação sexual, é muito bem-vinda. Depois do fim da descabida "punição" com a aposentadoria compulsória, a perda do cargo de juiz é a mais justa sentença para os magistrados que transgridem as leis que deveriam respeitar.



Ter um amigo…

Por: Matheus Kennedy


"Ter um amigo, na vida é tão bom ter amigos. A gente precisa de amigos do peito, amigos de fé, amigos irmãos iguais a eu e você…", imortalizada nas vozes de Os Trapalhões, Amigos do Peito é o hino da amizade, comemorado neste dia 20 de julho. A data foi criada pelo professor de psicologia e filósofo argentino Enrique Ernesto Febbraro, inspirado na chegada do homem à Lua, considerando a data um símbolo de união e oportunidade de fazer amigos em outras partes do universo.

A amizade é depois dos laços familiares e românticos/conjugais a relação humana/afetiva mais vivenciada. Há quem lide melhor com amigos do que com familiares, por exemplo. Pesquisadores de Harvard (EUA), em estudos sobre o desenvolvimento humano, revelam que manter vínculos afetivos de qualidade prolonga a expectativa de vida em até 10 anos, superando fatores como dieta e genética.

Falamos da amizade verdadeira, não como clichê, mas como experiência concreta. Falamos do amigo verdadeiro, não daquele que curte nossos stories no Instagram. Falamos do amigo de todas as horas, não daqueles companheiros de bar ou dos que compartilham fofocas conosco. Falamos do abraço afetivo e acolhedor dado pela repórter Bianka Carvalho na menina Antonella, de 8 anos, vivendo o luto materno. A mão ou o abraço amigo também surgem de formas inesperadas e desconhecidas.

Em tempos de redes sociais, ser seguidor não significa ser amigo. Na liquidez das relações contemporâneas, manter uma amizade, respeitando, ouvindo e acolhendo o outro, é uma preciosidade. Queremos amigos que riam de nossas alegrias; chorem com a nossa dor; que sejam a forma mais sublime do amor.


Fonte: Instagram
Fonte: Instagram

A IMPORTÂNCIA DA OBRA DE BENEDITO RUY BARBOSA


Entrevista com Luciana do Rocio Mallon, professora, escritora e pesquisadora.


1 - Por que podemos considerar Benedito Ruy Barbosa como o autor desbravador dos rincões do Brasil?


Benedito Ruy Barbosa tirou as novelas das grandes cidades e levou as novelas para o ambiente rural. Ele gravou as novelas no campo ao invés de ficar preso em estúdios. Assim, mostrou um Brasil rural que os brasileiros da cidade não conheciam. Exemplos: Na novela Pantanal, de 1990 pela extinta Rede Manchete, ele fez a novela realmente no ambiente do Pantanal mostrando a beleza da natureza local, as lendas regionais e os tipos humanos locais. Em 1993, na novela Renascer, ele mostrou a fundo a produção de cacau no interior da Bahia. Na novela O Rei do Gado, o autor levou a polêmica da Reforma Agrária para a TV. O escritor mostrou as dificuldades dos agricultores e dos boias-frias.

Na novela Paraíso de 1982, ele mostrou as crenças, a religião e o moralismo da época em cidades do interior. Também mostrou a importância dos rodeios para a economia. Apesar de ter enfrentado o protesto de ecologistas. Em Cabocla, na primeira versão, do começo dos anos 80, ele mostrou a política dos coronéis e a importância dos lavradores para o Brasil. Em Terra Nostra, de 1999, ele mostrou a imigração dos Italianos que vieram trabalhar na lavoura depois da libertação dos escravizados. Ele também mostrou a dificuldade dos afrodescendentes naquela época. Benedito Ruy Barbosa deu voz aos trabalhadores rurais.


2- Quais as características comuns nos personagens de Benedito Ruy Barbosa?


As mulheres protagonistas principais têm personalidades fortes e são batalhadoras: essas personagens possuem força e são atrevidas, então são bem diferentes das mocinhas de novelas tradicionais. Elas também trabalham muito. Exemplos: Juma Marruá e Luana Berdinazzi;

Fazendeiros: ligados à natureza e cercados de traidores. Geralmente, eles não fazem os papéis de ricos maus. Pois, normalmente, na obra de Benedito Ruy Barbosa, os fazendeiros lutam para construir algo no campo e são vítimas de oportunistas. Exemplos: José Leôncio de Pantanal, Bruno Mezenga do Rei do Gado e José Inocêncio de Renascer.

Trabalhadores rurais: aqui o autor têm uma visão realista pois os lavradores são: boias-frias, sem- terra, agricultores sem posses, etc. Exemplo: Regino de O Rei do Gado.


3- Muitas de suas obras retratam questões sociais, ambientais e os conflitos pela terra. De que modo esses temas foram tratados de forma tão marcante?


As novelas de Benedito Ruy Barbosa surgem de conversas e pesquisas com agricultores da vida real. Inclusive o autor já viveu no campo e conhece essa realidade.

A natureza não faz somente parte da paisagem, pois ela também é uma personagem real. As músicas com letras fortes que representam cada personagem, as plantações em todas as cenas, as discussões sobre o Rio São Francisco em Velho Chico e a beleza do Pantanal na novela Pantanal servem de pano de fundo para debates sobre sustentabilidade e ecologia.

Benedito Ruy Barbosa utilizou o tema da Reforma Agrária em O Rei do Gado de forma sensível, tanto que o personagem principal se apaixona por uma sem-terra. Então, o fazendeiro passou a ter empatia pela causa.

Aliás, o autor retira aquela visão idealizada da vida do campo como se a paz reinasse lá. Pois ele mostra as disputas de terras e denuncia crimes ambientais.


4- Como o folclore/imaginário cultural brasileiro se apresenta nas principais obras de Benedito?


Benedito trabalha o Folclore através das lendas, danças e músicas. Em Pantanal temos a Lenda da Mulher-Onça que é representada pela Juma Marruá junto com sua mãe, pois as duas viram onças e também há o Velho do Rio, um remador que protege a natureza e vira cobra. Em Renascer temos as Lendas de: Bumba-Meu-Boi, Cramulhão da Garrafa e o Jequitibá-Rei, árvore que tem o poder de fechar o corpo. Na novela Paraíso temos a lendas do Filho do Diabo e das santas populares. Em Sinhá Moça temos a Lenda da Donzela do Véu que foi representada pela personagem Ana do Véu, pois no século dezenove era comum as mães prometerem às santas que caso alcançassem as graças pedidas, cobririam os rostos das suas filhas.


A "betização" da Copa do Mundo

Por: Lorena Ferreira 


A Copa do Mundo, tradicionalmente marcada pela união e espírito festivo, passou a dividir espaço com outro protagonista: as casas de apostas esportivas. Nas últimas semanas, o volume de propagandas de bets durante as transmissões da CazéTV gerou forte repercussão nas redes sociais e foi alvo de abertura de investigação das publicidades pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Embora a CazéTV tenha se tornado o principal alvo das críticas, ela está não é pioneira e nem um caso isolado. Emissoras como a Rede Globo, a ESPN e o SBT, que também transmitem partidas do Mundial, mantêm contratos de patrocínio com empresas de apostas. E não para por ai, após o primeiro jogo da Seleção Brasileira, por exemplo, Neymar Jr. utilizou suas redes para promover a plataforma de apostas da qual é embaixador, aproveitando um momento de grande engajamento do público.

O debate, portanto, vai além da quantidade de anúncios exibidos por um único canal. O que está em discussão é a naturalização da indústria das apostas no futebol brasileiro. A publicidade vem ocupando uma posição central na experiência do torcedor, transformando praticamente todos os espaços do mundial em vitrines para plataformas de apostas online.

A CazéTV, por ser um canal aberto e democratizar a transmissão do jogos, adotando uma linguagem mais informal, evidenciou esse movimento que ocupa o cenário brasileiro há bastante tempo. Sua comunicação direta, voltada especialmente ao público jovem, fez com que a exposição às bets se tornasse mais perceptível. No entanto, responsabilizar exclusivamente o canal significa ignorar que a  "betização" do futebol é resultado de uma estratégia financeira e publicitária disseminada entre emissoras, clubes, atletas, influenciadores e patrocinadores.

Nesta semana, durante sessão no Senado Federal, o senador Eduardo Girão (NOVO/CE) defendeu que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reavalie seus contratos de patrocínio com empresas de apostas. Em seu pronunciamento, o parlamentar chegou a relacionar a derrota da Seleção Brasileira para a Noruega ao avanço desse mercado no país, afirmando que o Brasil se tornou um "paraíso" para as bets e alertando para consequências como o endividamento da população e o afastamento de torcedores do futebol.

Independentemente da concordância com essa interpretação, o episódio nos leva a questionar até que ponto o futebol brasileiro continuará permitindo que a lógica das apostas se sobreponha ao próprio esporte. O debate não deve se restringir a um canal de transmissão específico, mas abranger a responsabilidade compartilhada entre empresas de comunicação, entidades esportivas, atletas, influenciadores e poder público. 


Astecas e maias: origem, cultura e legado para as Américas

As civilizações asteca e maia estão entre as mais importantes da história da América pré-colombiana e de parte da América Latina como um todo. Os maias ocuparam regiões que hoje correspondem ao sul do México, Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador, desenvolvendo sua cultura a partir de cerca de 2.000 a.C. Já os astecas estabeleceram-se no Vale do México no século XIV, fundando a cidade de Tenochtitlán, atual Cidade do México, que de um poderoso império, hoje, corresponde à uma grande capital. 

Esses povos possuíam ricas tradições culturais e religiosas. Os maias acreditavam em diversos deuses ligados à natureza, ao tempo e à agricultura, realizando cerimônias e construindo grandes templos em forma de pirâmides. Os astecas também eram politeístas e cultuavam divindades como Huitzilopochtli, deus da guerra e do Sol, e Quetzalcóatl, a serpente emplumada. Seus rituais incluíam festividades religiosas e, em alguns casos, sacrifícios humanos, considerados essenciais para manter o equilíbrio do universo.

Os maias desenvolveram um sofisticado sistema de escrita, conhecimentos avançados de matemática, como o uso do número zero, e astronomia, criando calendários extremamente precisos e próximos aos utilizados nos dias de hoje. Os astecas destacaram-se na engenharia, construindo canais, diques e jardins flutuantes conhecidos como chinampas, que aumentavam a produtividade agrícola. Também possuíam conhecimentos de medicina, arquitetura e organização política.

Ambos os povos preservavam tradições artísticas, produzindo esculturas, pinturas, cerâmicas, joias e tecidos com grande riqueza de detalhes. A transmissão de conhecimentos acontecia por meio da oralidade, da escrita (especialmente entre os maias) e dos ensinamentos dos anciãos e sacerdotes.

As tradições indígenas dos astecas e maias demonstram a profunda conexão desses povos com a natureza, a coletividade e a espiritualidade. Mesmo após a conquista europeia, muitos de seus costumes, idiomas, festividades, habilidades de combate e conhecimentos permanecem vivos e fazem parte da identidade cultural de diversos povos indígenas da América até os dias atuais.

Suas construções monumentais, como as pirâmides e cidades antigas, revelam o alto nível de desenvolvimento que alcançaram e a importância que permeia nos dias de hoje. Seus conhecimentos influenciaram estudos sobre astronomia, agricultura e arquitetura, enquanto elementos de sua cultura, língua, culinária, artesanato e tradições continuam presentes em diversos países latinoamericanos

TRUMP TIROU O TÍTULO DE ELEITOR?


Por: Matheus Kennedy

Tarifaços vão e vêm, somados à classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Trump tirou o título de eleitor e está disposto a interferir nas eleições brasileiras deste ano?

No mesmo dia em que Trump postou em sua rede social a foto da visita de Flávio Bolsonaro aos EUA, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, um dos mais ideológicos da administração trumpista, considerou o Brasil como "não amigo" dos EUA, alinhado à Cuba, Venezuela e Nicarágua. O que tudo isso significa?

Flávio Bolsonaro foi aos EUA tentar reverter, com foto e designação de PCC e CV como terroristas, sua maré baixa diante da revelação de suas ligações com Vorcaro, sabendo que a pauta da segurança pública é um calcanhar de Aquiles para Lula e a esquerda de modo geral. As pessoas, cansadas de viver sob o jogo do crime organizado, não querem saber se esta ou aquela organização criminosa é terrorista ou não. Elas querem viver em paz e em segurança. Não importa a solução.

Mas a promessa de um novo tarifaço de 25% sobre a economia brasileira pega muito mal para o clã Bolsonaro, Flávio à frente. Tachados de "traidores" e "vendilhões da Pátria", os filhos de Bolsonaro correm sérios riscos eleitorais ao serem associados a este tarifaço 2.0 ou a qualquer investida americana contra o Pix, modelo de transação financeira querido e adotado por todos os brasileiros, sem distinção. Aqui, Lula encontrou um bom discurso eleitoral e vai bem.

Até outubro, o que parece, é que veremos muitas articulações e interferências (?) dos EUA para favorecer Flávio Bolsonaro, o jovem, que segundo Trump, "ama muito o seu país". Resta saber qual.

CASO MASTER RESPINGA NAS ELEIÇÕES


Por: Matheus Kennedy


A cada nova operação da Polícia Federal ou revelação das tramoias de Vorcaro e sua máfia com políticos de diferentes espécies, fica latente o impacto que o famigerado caso Master terá nas eleições de outubro deste ano. Os próprios eleitores, consultados por institutos de pesquisa, têm afirmado que levarão em consideração para o voto todas essas questões.

Se a revelação da mesada paga por Vorcaro ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, já causou espasmo no campo da direita, às conversas afáveis de Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato presencial, com Daniel Vorcaro sobre um suposto patrocínio para um filme biográfico do Bolsonaro pai, foram um verdadeiro terremoto político na sua pré-campanha.

A política dá muitas voltas. Até capota, às vezes. Há pouco mais de duas semanas, quando da histórica derrota de Messias ao STF e a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, a direita cantava vitória, decretando solenemente o fim do governo Lula 3. Bastou o lançamento do programa Desenrola 2.0, o encontro amigável entre Lula-Trump e essas operações/revelações do escândalo Master, para a maré favorável virar para o lado petista.

O cenário está dado? Claro que não. É cedo para qualquer prognóstico. Daqui para as eleições de outubro temos um século e uma Copa do Mundo. Muito pode acontecer e o caso Master continua por aí com suas bombas. E o PT da Bahia? Não se engane: há muito o que ser revelado também na esquerda.


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O professor Carlo Ancelotti chamará, hoje, 26 nomes para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026. Boa sorte aos jogadores! Nosso ciclo foi acidentado, difícil.

Mães solos e o Dia das Mães

Por: Lorena Ferreira 

A maternidade solo no Brasil representa uma realidade marcada pela sobrecarga, resistência e invisibilidade social. Hoje, 10 de maio de 2026, Dia das Mães, é importante refletir sobre mulheres que exercem sozinhas a responsabilidade pela criação, educação e sustento dos filhos, muitas vezes sem apoio afetivo, financeiro ou institucional. Apesar dos avanços sociais, a sociedade ainda romantiza a figura materna, transformando o sofrimento e a exaustão em símbolos de força obrigatória. Nesse contexto, mães solo são frequentemente chamadas de "guerreiras", enquanto o Estado e a própria estrutura social deixam de oferecer suporte adequado, como acesso à creche, proteção trabalhista e responsabilização paterna efetiva.

Ainda hoje, mesmo com a inserção massiva das mulheres no mercado de trabalho, as atividades relacionadas ao cuidado continuam sendo majoritariamente desempenhadas por elas. Quando essa responsabilidade recai sobre apenas uma pessoa, sem divisão efetiva de tarefas, surge uma sobrecarga física e emocional frequentemente naturalizada pela sociedade.

A filósofa Simone de Beauvoir já discutia como a mulher foi historicamente condicionada ao papel do cuidado e da maternidade, você já deve ter escutado sua famosa frase "não se nasce mulher, torna-se mulher". Essa reflexão evidencia que a ideia de que a mulher deve naturalmente assumir sozinha a criação dos filhos é resultado de uma construção social e histórica, ligada às desigualdades de gênero. Assim, discutir maternidade solo no Dia das Mães significa ir além das homenagens simbólicas e reconhecer a urgência de políticas públicas e mudanças culturais que valorizem o cuidado como responsabilidade coletiva.

A maternidade solo representa uma das expressões mais evidentes das desigualdades estruturais presentes na sociedade brasileira. Mulheres que criam filhos sozinhas enfrentam sobrecargas econômicas, emocionais e sociais frequentemente invisibilizadas pelo discurso romantizado da maternidade.

Fast fashion no bolso brasileiro

A discussão sobre fast fashion no Brasil deixou de ser apenas uma questão de consumo para se tornar um retrato direto de escolhas políticas. A chamada "taxação das blusinhas" não é só sobre roupas baratas vindas do exterior, é, na prática, um embate entre modelos econômicos, interesses nacionais e o papel do Estado no mercado.

Durante anos, plataformas como a Shein cresceram rapidamente no Brasil apoiadas em uma combinação atrativa aos olhos e principalmente ao bolso do consumidor: preços muito baixos, logística eficiente e brechas tributárias. Enquanto consumidores comemoravam a possibilidade de comprar mais pagando menos, produtores e varejistas nacionais acumulavam prejuízos e escassez ao competir com empresas que, na prática, operavam sob regras diferentes. Só esqueceram de avisar que o ponto de partida não era o mesmo para os dois lados. 

É nesse ponto que a política entra de forma decisiva. Ao implementar mudanças por meio de iniciativas ligadas ao Ministério da Fazenda, o governo atual buscou corrigir essa distorção. A tributação de compras internacionais de baixo valor, apelidada de "taxação das blusinhas", representa uma tentativa de equilibrar o jogo. No entanto, essa decisão está longe de ser neutra, pois na prática, ela redistribui custos e benefícios entre diferentes grupos da sociedade.

Do ponto de vista do consumidor, o impacto é imediato e incômodo: preços mais altos e menor acesso a produtos baratos. Em um país com renda média relativamente baixa, isso pesa. Por outro lado, ignorar a desigualdade competitiva significaria aceitar a fragilização do varejo nacional, com possíveis perdas de empregos e redução da atividade econômica interna. Ou seja, a escolha não é entre certo e errado, mas entre prioridades.

O problema é que o debate público frequentemente simplifica a questão. De um lado, há quem trate a taxação como um ataque ao consumidor; de outro, quem a defenda como proteção necessária à economia nacional. Ambos os lados têm argumentos válidos, mas incompletos. A medida pode, sim, corrigir distorções, mas também expõe uma fragilidade maior, a de que o Brasil ainda não conseguiu tornar sua própria indústria suficientemente competitiva sem depender de proteção.

Além disso, a reação das próprias empresas revela muito sobre o funcionamento do capitalismo global. Ao invés de abandonar o mercado brasileiro, gigantes do setor passaram a se adaptar, investindo em tudo aquilo que era considerado o diferencial de fast fashion. Isso mostra que a política não apenas regula o mercado, mas também força transformações estratégicas nas empresas. Em outras palavras, o Estado ainda tem poder de moldar comportamentos econômicos.

Há também uma dimensão menos debatida, mas igualmente importante: o próprio modelo de fast fashion. Baseado em produção acelerada, consumo constante e descarte rápido, ele levanta questões ambientais e sociais relevantes. Ao tributar essas cadeias, ainda que indiretamente, abre-se espaço para discutir não só quem paga imposto, mas que tipo de consumo o país quer incentivar.

Mais do que defender ou criticar a medida, o desafio está em encarar o problema de forma mais ampla: qual modelo de desenvolvimento o Brasil quer seguir?

A FALA DE NEYMAR


Por: Matheus Kennedy


No último dia 2 de abril, após a vitória por 2 a 0 do Santos sobre o Remo, Neymar criticou a atuação do árbitro da partida, Sávio Pereira Sampaio, afirmando que ele "acordou de chico". A fala causou um verdadeiro furdunço (bagunça, algazarra) nas redes sociais não só pelo uso da expressão, mas também por quem a enunciou.

Dado o contexto em que foi utilizada, possivelmente, a intenção de Neymar era criticar a postura do árbitro em campo, como se tivesse acordado de mau humor, por exemplo. Etimologicamente, entretanto, a expressão "acordou de chico" não traz essa raiz de sentido. Advinda do norte de Portugal, ela apresenta uma semântica de sujidade, vem de "porco", daí a expressão "chiqueiro".

Ao chegar ao Brasil, a expressão também passou a ser utilizada para se referir às mulheres menstruadas, na mesma linha da máxima "acordou naqueles dias". Daí porque muitas pessoas caracterizaram a fala de Neymar como machista e misógina.

Estudar a Língua Portuguesa nos permite entender como surgem as palavras e expressões e seus diversos sentidos construídos sócio e historicamente. A fala de Neymar foi infeliz, mais pelo caráter etimológico da expressão empregada do que pela conotação que "pegou" no público da Internet, ávido por polêmicas e cancelamentos. E quando a polêmica é dada por uma celebridade como Neymar, o prato é cheio e raso ao mesmo tempo.

Março: entre a celebração e o luto

O dia 8 de março, conhecido como Dia Internacional da Mulher, não nasceu como uma data comemorativa no sentido tradicional. Sua origem está ligada à luta por direitos, que nunca partiu de um pressuposto de igualdade para as mulheres. A data remonta ao início do século XX, quando mulheres trabalhadoras passaram a se organizar por melhores condições de trabalho, igualdade salarial e direito ao voto. Um dos marcos históricos associados à data são as mobilizações de operárias, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, além do reconhecimento oficial pela ONU em 1975, consolidando o 8 de março como símbolo global da luta feminina por equidade.

No entanto, mais de um século depois, o mês que deveria representar conquistas e avanços também expõe uma dura contradição no Brasil: o crescimento alarmante da violência de gênero, com destaque para o feminicídio.

Segundo a Agência Brasil, dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, registram 6.904 vítimas de feminicídio consumado e tentado, um aumento de 34% em relação a 2024. Dentre esses casos, 2.149 mulheres foram assassinadas, o que revela uma média de quase seis mortes por dia. Apesar dos números registrados serem mais do que alarmantes, especialistas alertam que ainda podem ser subestimados devido à subnotificação e à dificuldade de tipificação correta dos crimes.

Esse contraste entre a simbologia do 8 de março e a realidade dos dados evidencia um paradoxo de que enquanto se celebra a luta das mulheres, muitas ainda enfrentam a violência diariamente, seja dentro de casa, no local de trabalho, ou seja, nenhum lugar remete uma segurança digna.

A análise do perfil das vítimas e dos agressores reforça esse cenário. Em 75% dos casos, o crime ocorre no âmbito íntimo, cometido por parceiros ou ex-parceiros. A casa é o local mais frequente das agressões e mortes. A maioria das vítimas tem entre 25 e 34 anos, muitas são mães, e milhares de crianças são deixadas órfãs após esses crimes. Em pelo menos 22% dos casos, havia denúncias anteriores, o que evidencia falhas na proteção e no acompanhamento dessas mulheres.

O feminicídio, portanto, não é um evento isolado, mas o desfecho de um ciclo de violência que poderia, em muitos casos, ser interrompido. A persistência desse problema revela não apenas questões culturais profundamente enraizadas, como o machismo estrutural, mas também lacunas institucionais, especialmente na implementação e monitoramento das políticas descritas nas legislações brasileiras, como a Lei Maria da Penha.

Diante disso, o mês de março se transforma em um período de reflexão mais complexa. Não se trata apenas de celebrar conquistas, mas de reconhecer os desafios ainda existentes. O 8 de março, nesse contexto, deve ser entendido menos como um dia de homenagens simbólicas e mais como um chamado à ação.

A luta que deu origem à data permanece atual. Enquanto mulheres continuarem a morrer pelo simples fato de serem mulheres, a pauta do Dia Internacional da Mulher não estará concluída. O verdadeiro significado da data está em transformar indignação em políticas públicas eficazes, conscientização em mudança cultural e dados alarmantes em urgência coletiva.

Caçador de Marajás (2025)

Entrevista com Charly Braun, diretor e roteirista. 

1- Como surgiu a ideia de produzir um documentário sobre a ascensão e queda do ex-presidente Fernando Collor? Quando começou a produção? 

Por uma série de circunstâncias muito particulares e pessoais, vivi muito intensamente a era Collor, apesar da minha tenra idade à época. Frequentava a casa do casal Leopoldo Collor e sua esposa Regina, amiga de juventude de minha mãe. Era amiguinho dos filhos do casal, e fui uma testemunha não apenas do drama político mas, sobre tudo, do familiar. Aquilo me marcou profundamente. Com o passar dos anos e a deterioração do cenário político brasileiro a partir das passeatas de 2013, impeachment de Dilma, etc, um dia pensei: preciso recontar aquela história, daquela época. Afinal de contas, ali se iniciava plenamente o renascimento da nossa democracia. Entendi que, além de uma trama espetacular, era mais do que passada a hora de que nos debruçássemos sobre aquele período. O passo inicial foi dado em 2015, quando submeti o projeto a um edital de desenvolvimento – e foi contemplado com nota máxima. Em 2021 apresentei o projeto a algumas plataformas de streaming e a Globoplay se interessou e contratou o desenvolvimento dos roteiros. A produção começou em 2023.

2- O ex-presidente Collor foi informado sobre o documentário? Foi cogitada a sua participação nele?

Em vários momentos ao longo do processo de feitura da série foi solicitada a participação do ex-presidente, mas nunca obtivemos resposta. Sempre imaginei que a obra funcionaria muito bem sem a participação direta dele, mas acredito que em obras desta natureza é fundamental que aos envolvidos seja dada a oportunidade de se manifestar.


3- Quais achados mais surpreenderam a equipe de produção do documentário?

 Muitas das coisas mais surpreendentes eu descobri nas centenas de conversas que tive com personagens ligadas diretamente à história, mas muitas destas coisas eram "em off" e eram questões de foro íntimo, e a mim não interessava a fofoca ou a exposição de intimidades. Mas estas conversas reveladoras me ajudaram a compor o mosaico de um personagem contraditório e rico. Talvez uma das coisas mais surpreendentes foi descobrir que, no exercício "oficial", digamos, da presidência, Collor era workaholic e extremamente dedicado. Uma das personagens que trabalhou com ele, Dorothea Werneck- uma burocrata exemplar- diz que dos quatro presidentes com quem ela trabalhou diretamente, Collor era de longe o que tinha a maior capacidade de gestão.


4- Podemos dizer, inclusive pelo documentário, que Collor foi o primeiro presidente populista do Brasil na Redemocratização. Que diferenças há entre a sua persona política e as de Lula e Bolsonaro, por exemplo? 

Esta pergunta é interessante porque se formos olhar para os últimos 50 anos da política brasileira, de fato apenas três pessoas arrebataram a população, apaixonaram o povo brasileiro- Collor, Lula e Bolsonaro. As eleições de FHC e Dilma se devem a outros fatores que não ao encantamento e carisma. O curioso é que Lula e Bolsonaro, mesmo tendo enfrentado problemas distintos, mantiveram uma grande parcela de apoio e admiração de seus eleitores originais. Já Collor foi do céu ao inferno- dois anos e meio após ter apaixonado parte do país, não encontrou mais quem o apoiasse, Acho que cada qual à sua maneira, possuem carisma, discurso, etc. Talvez a diferença de Collor, além das circunstâncias do período, seja que ele, uma vez eleito, não manteve políticas e discurso para sua base. Teve uma postura mais "de imperador", fazendo o que lhe desse na telha sem este olhar para seus seguidores.


5- Como foi a escolha da trilha sonora do documentário? Que relações elas guardam com o período histórico narrado e a figura de Collor? 

A série tem a trilha incidental e tem também várias canções da época. Estas foram pensadas para trazer emoção, uma sensação, um clima, e muitas vezes, ironia. De certa forma também dão um contexto cultural, como por exemplo marcar que os anos 80 foram os anos do rock no Brasil e a ascenção da música sertaneja coincide com a chegada da era Collor.


A MÁFIA DE VORCARO


Por: Matheus Kennedy


 A novela do caso Master ganha contornos cada vez mais graves no desenrolar dos capítulos. Até então o que se tinha em evidência era um caso de fraudes no sistema financeiro (o que não é pequeno ou insignificante) de um banqueiro que tinha seus tentáculos com figuras graúdas dos diversos escalões e segmentos de poder da República.

 A mais recente operação da Polícia Federal que resultou na prisão preventiva de Daniel Vorcaro e alguns outros envolvidos com ele mostra que a organização criminosa chefiada pelo banqueiro estava adotando métodos de máfia.

 Para que todos entendam: Como bem disse o jornalista Octavio Guedes, da Globonews, a máfia atua em três estágios: primeiro, ela tenta comprar a impunidade; não conseguindo, ela busca intimidar/difamar os adversários (lembram dos ataques ao BC e das trocas de mensagens, reveladas agora, com a vontade de atacar, por exemplo, o jornalista Lauro Jardim, d'O Globo?); Não conseguindo êxito, a máfia mata.

  Essa é a constatação da gravidade deste caso. Causa espanto as sucessivas investidas do ministro do STF Dias Toffoli, outrora relator do caso Master, em sua morosidade ou intervenções escabrosas no curso da investigação, totalmente o inverso da postura adotada pelo novo relator, ministro André Mendonça. Dizem que Brasília não dorme bem por conta do caso Master. Não importa. É essencial jogar luz (e punir!) sobre toda a realidade criminosa envolvendo Vorcaro, seus comparsas e cúmplices, quem quer que seja.


Famosos Chay Suede, Juliano Floss e João Guilherme são exemplos dessa nova masculinidade.
Famosos Chay Suede, Juliano Floss e João Guilherme são exemplos dessa nova masculinidade.

"Homens açucarados": uma nova masculinidade

Entrevista com Hugo Bento, psicanalista e psicólogo (CRP 04/39401), Mestre em Psicologia e Doutorando em Psicologia pela PUC Minas. Dedica-se ao estudo e à pesquisa dos assuntos de gênero e sexualidade na perspectiva psicanalítica. 

1- Recentemente, o participante do BBB 2026 Juliano Floss afirmou que faz xixi sentado. Para além de questões de saúde e higiene, o que esse comportamento revela sobre uma nova masculinidade apelidada, popularmente, de "açucarada"?

Sabe, quando penso nessa declaração do Juliano Floss sobre fazer xixi sentado, vejo algo muito maior do que uma simples preferência sanitária. Na psicanálise, dizemos que a masculinidade tradicional foi construída como uma espécie de "vigília armada". O homem "macho" aprende desde cedo que precisa estar sempre de pé, sempre pronto, sempre na vertical, como se seu corpo fosse um monumento de poder que nunca pode descansar. O ato de fazer xixi em pé é um dos primeiros rituais dessa virilidade: é o menino aprendendo a marcar território à distância, sem se curvar. Quando esses novos rapazes, chamados de "açucarados", escolhem sentar, eles estão comunicando algo: "eu posso baixar a guarda". É um homem que aceita desarmar o corpo, que se permite o relaxamento e que não precisa usar sua anatomia como um cetro de autoridade a cada ida ao banheiro. É a troca da tensão constante pela permissão do conforto.

2- Famosos como os atores João Guilherme, Humberto Morais, Chay Suede e Jaffar Bambirra tem se apresentado com uma composição de looks bem diferentes (roupas leves, folgadas e coloridas; sapatilhas). O que esse jeito de se vestir revela sobre um novo perfil de masculinidade? 

Olhando para o guarda-roupa de figuras como João Guilherme e Chay Suede, percebo que eles estão brincando com algo que Jacques Lacan chamava de "semblante". O semblante é como uma fantasia ou uma máscara que usamos para viver em sociedade. O problema da masculinidade antiga é que ela acreditava que a roupa — o terno escuro, o tecido grosso, as cores sóbrias — era uma armadura necessária para proteger o homem, como se sem ela ele fosse se desmanchar. Esses atores, ao usarem sapatilhas, cores vivas e roupas fluidas, estão nos mostrando que a masculinidade não precisa ser uma carapaça rígida. Eles entenderam que se vestir é um jogo, uma invenção, e não um uniforme de guerra. Eles estão dizendo que um homem pode ser colorido, leve e permeável sem deixar de ser homem. É uma estética que convida ao toque e à brincadeira, ao contrário daquele visual antigo que dizia "afaste-se, sou perigoso".

3- Nas novelas, quando há um galã vivendo um vilão, geralmente, uma de suas punições é "falhar" no ato sexual. O que essa situação ainda guarda de relação com os estereótipos masculinos? 

Essa repetição nas novelas, onde o vilão é punido com a "falha" na hora H, é um sintoma triste da nossa cultura. Freud falava muito sobre como os homens depositam todo o seu valor no pênis, o que gera uma angústia terrível de perder esse poder (a angústia de castração). Quando a ficção tira a ereção do vilão como castigo final, ela está reforçando uma ideia muito pobre: a de que a única dignidade de um homem está no funcionamento mecânico do seu órgão sexual. É como se disséssemos: "você pode ser mau, mas se 'funcionar', ainda é homem; se falhar ali, você não é nada". Isso reduz a complexidade humana a uma questão hidráulica e mantém os homens reféns desse medo de falhar, impedindo que eles descubram outras formas de dar e receber prazer que não sejam centradas apenas na performance viril.

4- Por que muitas mulheres demonstram cansaço com o tipo "hétero top" ou "machão"? 

Acredito que o cansaço das mulheres com o "hétero top" vem de uma percepção muito fina sobre o narcisismo. Freud diferenciava o investimento narcísico (quando eu só amo a minha própria imagem) do investimento na alteridade (quando eu consigo amar o outro como ele é). O modelo do "machão" tradicional costuma ser muito narcísico: ele quer uma mulher não como parceira, mas como plateia, alguém para aplaudir sua força e confirmar que ele é o "cara". Isso é exaustivo para quem está do outro lado. Já esses homens ditos "açucarados" ou sensíveis parecem mais dispostos a sair da frente do espelho e olhar para quem está ao lado. Eles abrem espaço para a vulnerabilidade, para a conversa, para a troca. As mulheres não estão buscando apenas alguém "bonitinho", elas estão buscando alguém que saiba que existe outra pessoa na relação, alguém com quem se possa construir algo junto, sem essa necessidade neurótica de estar sempre no comando.

5- Por que é um equívoco rotular/considerar os homens com esses comportamentos "açucarados" como gays, por exemplo? 

Esse é o ponto onde precisamos ter mais cuidado para não cair em armadilhas. Muita gente confunde "quem eu quero ser" com "quem eu quero levar para a cama". Na psicanálise, chamamos isso de diferença entre identificação e escolha de objeto. Um homem pode se identificar com traços que a cultura chama de femininos — gostar de cuidar da pele, ser delicado, usar roupas coloridas — e, mesmo assim, seu desejo sexual ser voltado para mulheres. Rotular esses rapazes de gays só porque eles são sensíveis é uma forma preguiçosa de pensar. Além disso, precisamos ter o cuidado ético de não transformar o "homem sensível" em uma nova obrigação, um novo ideal inalcançável. Se antes o homem tinha que ser bruto, não podemos agora exigir que ele tenha que ser "açucarado". O mais importante, e o que a clínica psicanalítica nos ensina, é que cada sujeito deve ter a liberdade de inventar sua própria forma de ser, sem ficar tentando se encaixar em moldes prontos, sejam eles de "macho alfa" ou de "príncipe sensível". A autenticidade está em construir um estilo próprio de habitar o mundo e de gozar.

Cachorro Orelha: uma conversa sobre proteção e direitos dos animais

Entrevista com Rogério Rammê, advogado e professor. Especialista em Direito Animal.

1- A morte do cachorro Orelha, em Santa Catarina, comoveu todo o Brasil. O que a legislação brasileira diz sobre casos de maus-tratos e a morte de animais por violência? 


  No Brasil, por força constitucional toda a crueldade contra animais é vedada. Essa regra está no artigo 225, § 1º, inciso VII, da Constituição Federal.

   Porém, o principal marco legal sobre maus-tratos é a Lei 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais), que tipifica o crime de maus-tratos contra animais no seu artigo 32. No entanto, o cenário mudou drasticamente em 2020 com a Lei Sansão (Lei 14.064/20). Com a Lei Sansão, os maus-tratos contra cães e gatos, passaram a ser punidos com pena de 2 a 5 anos de reclusão, multa e proibição da guarda. Ademais, o agressor pode ser preso em flagrante e não poderá ser beneficiado com institutos despenalizadores como o da transação penal, aplicáveis aos delitos de menor potencial ofensivo.

  Infelizmente, os maus-tratos praticados a todos os demais animais, com exceção aos cães e gatos, ainda são punidos com pena de 3 meses a 1 ano, sendo crime de menor potencial ofensivo. Isso precisa mudar.

  Já se o crime de maus-tratos, independentemente da espécie do animal vítima, resultar na morte do animal (como no caso do cão Orelha, por exemplo), a pena do crime é aumentada de um sexto a um terço.

2- Quais são as principais violências cometidas contra animais, com lar estabelecido ou de rua, no Brasil?

 Agressões físicas, privação de alimento, água, exposição ao calor ou frio excessivos, abusos sexuais, envenenamentos, abandono, confinamento em espaços minúsculos, manutenção em correntes curtas e falta de assistência médico-veterinária. As violências não são apenas físicas (agressão direta), mas também omissivas – decorrente de omissão de cuidados básicos – muitas vezes.

3- A legislação brasileira pode avançar no que tange à proteção dos animais? Em que sentido? 

   A legislação brasileira é considerada avançada, mas ainda há lacunas importantes para evoluir. O Código Civil ainda trata animais como "bens móveis" (coisas). Diversos projetos de lei em curso buscam criar uma categoria jurídica própria: seres sencientes (capazes de sentir dor e emoções), dotados de natureza biológica e emocional e merecedores de especial proteção jurídica. Reconhecer e regulamentar formalmente a família multiespécie e os institutos da guarda, visitas e pensão alimentícia/rateio de despesas para animais em casos de separação de tutores. Há um projeto de lei em curso que propõe o Estatuto dos Cães e Gatos, com diversos avanços protetivos e obrigações ao poder público. Estatutos semelhantes e até mesmo para outras espécies devem passar a ser apresentados nas casas legislativas de todos os entes federativos.

   No Brasil, os avanços legais na proteção dos animais geralmente acontecem impulsionados por fatos graves que gerem grande comoção social. Mais proteção para os animais comunitários é o tema do momento. Espero que venham avanços significativos nessa área.

  Atualmente, tramitam no Congresso Nacional projetos de lei voltados a aumentar as penas para crimes praticados contra animais silvestres, em especial para o crime de tráfico, e também para incluir os maus-tratos contra cavalos no mesmo patamar punitivo dos maus-tratos contra cães e gatos.

4- Que consciência social precisa ser estabelecida sobre os direitos dos animais no Brasil? 

  A principal mudança passa por reconhecer nos animais sencientes de outras espécies diferente da humana, interesses próprios que importam e exigem respeito. Reconhecer que são vidas e seres dotados de dignidade e que não são produtos, coisas, objetos.

  Isso passa, por exemplo, na nossa relação com os animais de estimação pela substituição do conceito de "dono" ou "proprietário" pelo de "tutor" ou "responsável", inserido uma relação de guarda (cuidado). Passa também por entender que a violência contra animais está ligada à violência contra humanos (Teoria do Elo). Passa ainda pela consciência social frente situações de maus-tratos. A sociedade precisa entender que omitir-se diante de um crime contra animais também é uma forma de conivência. Animais têm direitos e nós a responsabilidade de zelar por sua proteção.

Entrevista com Wellington Cabral Ribeiro, nota mil na redação do Enem 2025


Wellington Ribeiro, de 19 anos, foi um dos candidatos que tirou nota mil na redação do Enem 2025. Natural de Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco, ele fez todo o Ensino Médio no Recife.


1- Como foi o seu processo de preparação para o Enem?


Meu processo de preparação para o ENEM foi árduo como em qualquer processo pré-vestibular: com muitos erros para um acerto. Fazia simulados e redações semanais dando ênfase na correção deles para não cometer os mesmos erros novamente.


2- Qual a sua relação com a redação do Enem? Você já havia obtido notas altas em outras edições? Quais foram suas facilidades e dificuldades no processo de escrita?


Eu sou apaixonado pela escrita desde criança, escrevia textos narrativos, como contos. Mas textos dissertativos-argumentativos sempre foram um desafio, pois construir uma linha argumentativa para os milhares de temas existentes é complexo demais. Sobre os meus resultados anteriores, no 1° ano do ensino médio eu tirei 880 e no 2° e no 3º, 920.


3- Como você reagiu ao saber que havia obtido nota máxima na redação? Pela sua preparação, você esperava esse resultado?


Foi uma sensação inexplicável. Estava em êxtase ao olhar o resultado às 12h50 do dia 16. É difícil dizer que eu esperava um 1000, porque o processo de correção das redações do ENEM ainda não é muito transparente, mas certeza eu tinha de que seria uma nota alta.


4- Que conselhos você deixa aos futuros candidatos do Enem no que se refere à redação?


Aos candidatos do ENEM 2026, eu acho que a chave para construir um texto de qualidade é selecionar mais de um repertório por eixo temático, não cometer os mesmos erros que já foram apontados na sua redação pelos corretores e edificar uma base gramatical sólida.


5- E o futuro acadêmico? O que você deseja?


Desejo fazer Direito na Federal de Pernambuco (UFPE)!

O ATAQUE DOS EUA À VENEZUELA E A QUEDA DE MADURO 

Entrevista com Lorena Ferreira (Cientista Política)
 

1- O que Trump realmente pretende ao atacar a Venezuela e capturar o ditador Nicolás Maduro?

Acredito que a principal intenção seja dominar o país com a maior abundância de petróleo do mundo. Pelo que tenho acompanhado nos discursos de Trump, o plano envolve a instalação de empresas americanas para controlar a exploração petrolífera venezuelana, evidenciando que se trata, sobretudo, de uma estratégia econômica dos Estados Unidos. Além disso, Trump elimina um opositor político, Nicolás Maduro, e busca conduzir uma transição até que a presidência seja ocupada por um aliado ou por alguém mais maleável aos interesses norte-americanos, como vem ocorrendo com Delcy Rodríguez.

2- Por que os EUA permitiram que Delcy Rodriguez, até então vice-presidente de Maduro e expoente do chavismo, assumisse a presidência venezuelana, ao invés de María Corina Machado, principal líder de oposição, por exemplo?

De acordo com análises de especialistas nos Estados Unidos e na Venezuela que venho acompanhando, Delcy Rodríguez, apesar de declarar apoio a Maduro e defender a soberania venezuelana, mantém canais de diálogo abertos com os Estados Unidos e com Donald Trump. María Corina Machado, por sua vez, adota uma postura mais intransigente em relação às negociações.

Além disso, Corina não é uma figura central quando se trata da questão petrolífera, que parece ser o principal foco dessa transição. Delcy, por ter integrado o governo, possui acesso a informações estratégicas e pode ser mais suscetível a acordos durante esse processo. Soma-se a isso o fato de que María Corina não é bem aceita nem pelo chavismo nem por parcelas significativas do próprio campo oposicionista, algo que ficou evidente em sua tentativa de se eleger em 2024.

3- Ao atacar a Venezuela, os EUA romperam o ineditismo de uma ação militar direta em um país da América do Sul. Após o episódio, Trump voltou a ameaçar países como Cuba, Colômbia, México e Groenlândia e a reafirmar que o Hemisfério Ocidental pertence aos EUA. O que essas ameaças imperialistas representam de fato? Estamos diante de uma nova leitura da Doutrina Monroe? Esses países devem se preocupar com as ameaças de Trump?

Essas ameaças representam, de modo geral, um cenário de grande instabilidade. O presidente dos Estados Unidos classificou a operação na Venezuela como um grande sucesso e passou a ameaçar outros países com os quais mantém divergências. A principal diferença em relação à Doutrina Monroe é que agora estamos diante de algo que pode ser chamado de uma "Doutrina Trump".

Essas ameaças acabam incentivando países a buscarem o afastamento de vínculos financeiros e estratégicos com os Estados Unidos, embora isso seja extremamente difícil para muitos deles. Não é possível afirmar até que ponto Trump levará essas ameaças adiante, mas, após o que foi visto na Venezuela, tudo parece possível.


4- Como o ataque dos EUA à Venezuela encoraja países como Rússia e China, outras superpotências, em seus projetos expansionistas/dominadores?

Ao atacar a Venezuela, os Estados Unidos acabam transmitindo uma espécie de autorização tácita para que países como Rússia e China avancem em seus próprios projetos expansionistas. Trump apresentou a invasão como um grande sucesso, enquanto a Rússia já manifesta abertamente seu interesse em dominar a Ucrânia por considerá-la parte de sua esfera de influência, e a China mantém sua intenção de controlar Taiwan.

Diante desse precedente, caso Rússia e China avancem nesses projetos, é possível que os Estados Unidos evitem um envolvimento direto, o que acaba fortalecendo ainda mais esse tipo de ação expansionista.


5- A cada violação do direito internacional, volta à tona o papel cada vez mais débil de organismos multilaterais como a ONU e o seu Conselho de Segurança em garantir a paz e o respeito às leis e acordos internacionais. Como você enxerga a crise do multilateralismo frente aos avanços imperialistas dos EUA?

Não sou internacionalista, mas, do ponto de vista político, percebo a ONU e seus organismos cada vez mais enfraquecidos. Acredito que um dos principais fatores para isso seja a postura dos Estados Unidos. Esses ataques recentes, especialmente de natureza militar, enfraquecem ainda mais o multilateralismo e a cooperação internacional.

Como mencionei anteriormente, trata-se da chamada "Doutrina Trump": um cenário de ausência de regras ou de respeito ao direito internacional quando este não se alinha aos interesses norte-americanos. É extremamente preocupante ver o direito internacional ser violado dessa forma, algo que dificilmente possa ter ocorrido em outros momentos da história.

6- A crise na Venezuela sempre foi uma questão preocupante para o Brasil por se tratar de um país vizinho com quem temos uma significativa faixa de fronteira. Como o governo brasileiro tem se saído no "equilíbrio dos pratos" nessa questão? Lembrando que tínhamos um enrosco com os EUA por conta do tarifaço e sanções às autoridades brasileiras, que foi se desanuviando com o tempo.

Acredito que o Brasil agiu bem no primeiro momento, especialmente com a manifestação do presidente Lula. Embora sempre tenha sido clara a proximidade do presidente brasileiro com Maduro, o Brasil mantém uma posição consistente em defesa da democracia e de eleições livres e transparentes.

Nos últimos meses, Lula demonstrou habilidade ao equilibrar e administrar a relação do Brasil com os Estados Unidos, o que abre espaço para que o país atue como um mediador relevante nesse conflito, sobretudo em razão da questão fronteiriça. O Brasil é o país que mais recebe venezuelanos pela fronteira norte, o que torna evidente a urgência de uma solução democrática na Venezuela, com respeito à soberania popular e à vontade do povo.


Dener: artista potiguar que une música, versatilidade e influência digital no cenário nordestino

  Dener Henri é um cantor e compositor potiguar que vem conquistando espaço no cenário musical com autenticidade, carisma e muita verdade na sua arte. Natural de Natal, Rio Grande do Norte, ele carrega a música na sua identidade desde criança, inspirado por grandes referências da música brasileira e pela forte vivência cultural nordestina, que se reflete diretamente em sua identidade artística.

  Com uma voz marcante e presença de palco envolvente, Dener se destaca por sua versatilidade musical, transitando com naturalidade entre diferentes estilos. O forró e o axé são suas maiores forças, mas seu repertório vai além, passando por músicas românticas, animadas e populares, sempre buscando criar identificação e emoção no público. Cada apresentação é marcada por entrega, energia e conexão verdadeira com quem assiste.

  Ao longo de sua trajetória, Dener já viveu momentos marcantes em palcos de grande relevância. Teve a oportunidade de dividir o palco do Teatro Riachuelo com a cantora Cláudia Leitte, performando junto a ela em uma apresentação especial durante sua Turnê Intemporal. Em outra ocasião, voltou ao Teatro Riachuelo para mais um grande espetáculo, onde mostrou toda a sua versatilidade musical ao interpretar clássicos de Belchior e Elis Regina, emocionando um público superior a 1.700 pessoas.

   Em 2024, Dener deu um passo decisivo em sua carreira ao lançar seu primeiro single, "Podcast de Mentiras", que rapidamente ganhou destaque, recebeu feedbacks positivos e se tornou uma música marcante junto ao público. O lançamento abriu portas para participações em programas de TV e rádio, além de apresentações em eventos privados, bares, baladas e festivais, ampliando ainda mais sua visibilidade no cenário musical, o próprio confirmou que vem mais novidades e músicas autorais, diversificando e agregando os estilos musicais!

  Além dos palcos culturais, Dener também acumula experiência em grandes eventos, já tendo se apresentado em palcos de prefeituras do Rio Grande do Norte reunindo um público com mais de 5.000 pessoas e no Ceará fez evento privado, mostrando potencial de expansão no Nordeste.

  Paralelamente à música, Dener Henrri também se destaca como influenciador digital, utilizando suas redes sociais como uma extensão da sua arte. Com forte presença online, ele concilia de forma autêntica moda, música e expressão artística, criando conteúdos que dialogam com estilo, comportamento e identidade, fortalecendo sua conexão com o público e atraindo marcas que se identificam com seu posicionamento criativo e verdadeiro.

  Mais do que cantar, Dener Henrri busca tocar pessoas através da música, transformando histórias, sentimentos e vivências em canções que permanecem na memória. Com talento, dedicação e paixão pelo que faz, ele segue construindo um caminho consistente e promissor, levando o nome do Rio Grande do Norte e a força da música nordestina cada vez mais longe. Dener se consolida como um artista multifacetado, que representa a nova geração da música popular brasileira ao unir tradição, contemporaneidade e comunicação direta com o público.

A MATANÇA DE MULHERES NO BRASIL

Por: Matheus Kennedy


  Primeiro semestre de 2025: 818 mulheres foram atacadas com faca, foice ou canivete; 72 foram estranguladas; 63, enforcadas; 39, atropeladas; seis, afogadas; cinco, decapitadas; três, jogadas de altura; uma, esquartejada. Esses dados horrorosos do Laboratório de Estudos de Feminicídio da Universidade de Londrina evidenciam a realidade de matança que acomete as mulheres brasileiras.

   Os últimos casos de feminicídio/violência contra mulheres mostram o aumento da brutalidade contra a mulher, algo que tem chamado a atenção de policiais e integrantes do Ministério Público. É o caso de Taynara Souza Santos, cujas pernas foram amputadas, depois de arrastada pelo carro dirigido por um selvagem. Outra mulher foi morta pelo ex-companheiro em uma lanchonete. Ele usava duas armas em punho. Uma mulher e seus filhos morreram carbonizados depois que atearam fogo em sua casa.

  Estamos formando uma máquina de moer mulheres no Brasil? O agressor mata esfolando, esmigalhando, moendo e triturando. Não há o mínimo de compaixão, civilidade e respeito pela vida de outro ser humano. Mesmo com a lei do Feminicídio em vigor desde 2015, os casos e a brutalidade só aumentam. Esse nível de violência encontra espaço na internet para crescer e se difundir.

   Movimentos como "red pill", que propagam preconceitos e teorias da conspiração contra mulheres, alcançam milhões de pessoas, principalmente jovens, que formam sua visão de mundo a partir desses alicerces tenebrosos. Isso pode explicar, por exemplo, o fato de que boa parte dos feminicidas/agressores são homens jovens, com seus vinte e poucos anos. Estamos formando uma legião de monstros! Cuidado com as redes! Tenha atenção com o que seu filho acessa na internet.

   Numa cultura machista e violenta como a nossa, só poderemos vencer essa matança de mulheres trabalhando a masculinidade saudável com os meninos desde cedo, cultivando neles o respeito e a boa convivência com mulheres. No contrário, estaremos formando mais ph.D.s em destruir mulheres.


NEGRITUDE, IDENTIDADE E ASCENSÃO SOCIAL

Entrevista com Esdras Bandeira Fernandes, formado em Letras Português, trabalha atualmente com correções de redação numa plataforma digital.


1- O ator Humberto Morais, um dos protagonistas da novela Dona de Mim, da TV Globo, tem frisado em entrevistas que a ideia de moda e se vestir bem para ele, enquanto homem negro, é uma questão de sobrevivência. Como o racismo interfere na autoestima e na preocupação da apresentação de imagem de si para a sociedade?


Para mim, antes mesmo da questão racial, vem a questão da auto expressão, a forma como nos vestimos comunica muito sobre quem somos e eu gosto de me vestir de me de forma autêntica, utilizar estampas, às vezes roupas que remetem um pouco a cultura punk rock. No momento em que eu passei a ter um maior letramento racial e perceber determinadas situações e coisas que o racismo nos impõe eu passei a analisar certos sentimentos que eu tinha em alguns lugares, como o fato de eu sempre querer sair arrumado, principalmente em lojas, para poder ser minimamente bem atendido. Eu venho de uma realidade pobre, então, é meio que algo "natural" sairmos sempre bem arrumados para que não sejamos vistos como pessoas pobres e sejamos bem tratados. Para além disso, mesmo estando bem arrumado eu me sinto "engolido" por certos ambientes, como se não fosse para eu estar ali. Mesmo com o cabelo arrumado, bem vestido, em determinados lugares taxados como "chiques" é perceptível a falta de pessoas negras naquele lugar e vem aquele sentimento de cautela de observar se estou bem arrumado para e apresentável para que ninguém me trate diferente. Nesse ponto entra a questão de estar bem vestido para ser uma questão de sobrevivência, como aponta o ator Humberto Morais, pois pessoas negras, infelizmente, muitas vezes são confundidas com "marginais" ou pessoas de má índole, por conta de estereótipos racistas. Sair de casa bem vestido, para uma pessoa negra é vestir uma armadura de proteção para uma guerra, sabendo que a qualquer momento alguém pode cometer algum ato de racismo contra você, seja um olhar indiferente, um comentário sobre seu cabelo, dentre outras pequenas situações.


2- Em que momentos da vida você se percebeu como pessoa negra na sociedade?

Acho que a partir de uma certa idade eu passei a observar e a ter uma percepção sobre a sociedade de maneira mais ampla, percebendo questões como o racismo, misoginia e outros. A partir do momento que deixei meu cabelo crescer e mostrei esse lado que deixava ainda mais evidente a minha negritude eu percebi comportamentos racistas, mesmo que inconscientes das pessoas ao meu redor, falas como "e esse cabelo?", "por que você não corta seu cabelo?". O sistema tem suas formas de manutenção, por isso o racismo ainda é tão evidente, pequenas falas só reverberam ideais difundidos na época da escravidão. Nesse período, pessoas negras tinham seus cabelos raspados constantemente, pois não tinham o direito de exercer uma identidade, eram apenas objetos a serviço do seu senhor. Me perceber como pessoa negra me trouxe diversas percepções sobre situações, inclusive já citadas na primeira pergunta o que me fez rebater determinados comportamentos e saber da minha luta social.


3- Como o racismo pode afetar sonhos, expectativas profissionais e impedir a ascensão social de pessoas negras?


Falando de pessoas próximas a mim, muitas vezes, o racismo estrutural aliado ao ciclo da pobreza que ele mesmo causa, afeta nas oportunidades que essas pessoas têm, fazendo com que seja difícil sonhar com algo grande, quando a sua realidade não permite que você alcance o mínimo. Uma amiga pessoal que é negra, uma vez citou que não sabia como iria prosseguir nos estudos, no caso focar em um mestrado, a graduação já tinha sido difícil, mas o mestrado iria requerer que ela tivesse um emprego para se suster e mesmo com a graduação não ia ser fácil conseguir um emprego e conciliar com o mestrado. Dessa forma, o racismo atua criando pequenos percalços que impedem uma ascensão, muitas vezes, até pela falta de referências de pessoas negras que ascenderam socialmente.


4- A ascensão individual de pessoas negras contribui para mudanças coletivas? Como evitar a ideia de "exceção" do sucesso negro?


Sim, há um ditado africano "Ubuntu", que diz que "eu sou porque nós somos", ou seja, é importante perceber a ideia de coletividade, pois quando um filho de uma mulher pobre ascende, na maioria das vezes ele busca trazer um maior conforto para sua família também. Acredito que a ideia de "exceção" do sucesso negro já parte de um ideal racista, pois mesmo que seja apenas um, ele constrói a partir do seu cargo, seja ator, atriz, empresário, professor, ou qualquer profissão que demonstre um certo prestígio, há a construção de uma referência, para que qualquer jovem negro possa olhar e pensar "eu também posso". A ideia de "exceção" deve ser quebrada, pois o ciclo do racismo estrutural que permeia o ciclo de pobreza deve ser quebrado, cada dia pessoas negras alcançam uma maior visibilidade na sociedade, cargos mais altos, construindo uma coletividade, principalmente, as pessoas com um maior letramento racial que buscam dar mais vagas para pessoa negras para que elas também possam ascender socialmente.


5- Você considera possível ascender socialmente no Brasil sem ter que negar ou "adaptar" a identidade negra?


Eu sei que, muitas vezes, é difícil manter uma identidade negra, como manter o cabelo afro, uso de tranças e determinadas características dentro de um mercado de trabalho tão excludente, mas creio que muitos estereótipos estão sendo quebrados ao longo dos anos, é um pouco complexo, mas depende muito de que lugar essa pessoa se encontra, se é possível bater de frente e conseguir usar sua identidade. Por exemplo, a atriz e cantora Cynthia Erivo conversou pessoalmente com a produção de Wicked para que a sua personagem usasse uma peruca de micro tranças, causando um impacto cultural nas demais produções de teatro musical que passaram a utilizar o mesmo estilo no figurino da personagem Elphaba quando interpretada por pessoas negras. Daí vem mais uma vez o senso de coletividade que as pessoas negras devem ter, pois a partir de uma ação individual foi construída uma ação coletiva, quando uma pessoa negra que está num lugar de prestígio opta por afirmar ainda mais a sua identidade negra, causa um impacto cultural nos demais que ainda estão por vir. Então, sim, é possível ascender sem adaptar a sua identidade negra.



🤖 A verdade que ninguém quer admitir sobre a Inteligência Artificial

Por: Caio Sampaio


  Nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para se tornar uma força transformadora em praticamente todas as áreas profissionais. E, junto com essa evolução, cresceu também um medo comum: "a IA vai roubar empregos?"

   A resposta não é tão simples—mas é muito diferente do que muita gente imagina.  A IA não está tirando empregos. Ela está tirando espaço de quem não se atualiza.

    O que realmente está acontecendo não é a substituição total de profissionais, mas sim a valorização de quem sabe utilizar as novas ferramentas. Em 2025, habilidade técnica por si só não é mais suficiente. Agora, eficiência e adaptabilidade são tão importantes quanto talento.

Ferramentas de IA já conseguem executar tarefas em minutos que antes exigiam horas de trabalho, como:

- edição e montagem de vídeos;

- criação de textos e roteiros;

- organização e gestão de tarefas;

- geração de ideias criativas;

- automação de processos repetitivos;

Isso tornou o trabalho mais rápido — não menos humano.

O que a IA ainda não faz

Apesar da sua velocidade e capacidade de processamento, a Inteligência Artificial ainda não consegue replicar características exclusivamente humanas, como:

- entender profundamente outras pessoas;

- criar conexão genuína;

- ter visão e propósito;

- transformar informações em oportunidades reais.

    Essas habilidades continuam sendo as que diferenciam profissionais comuns de profissionais indispensáveis.

   A IA não marca o fim do trabalho humano — marca um novo começo. Para quem aprende a usar a IA, ela se torna uma vantagem competitiva poderosa. Para quem ignora essa mudança, ela se torna uma barreira.

   O mundo nunca mudou tão rápido. E, nesse ritmo, a pior estratégia é ficar parado enquanto tudo avança. 2025 não é sobre competir com máquinas. É sobre usar a tecnologia para ampliar resultados, conquistar clientes, economizar tempo e ganhar mais dinheiro.

E você? Acredita que a IA vai ajudar mais do que atrapalhar?

Compartilhe sua opinião nos comentários — ela pode gerar uma conversa importante.

A arte imita a vida

Por: Matheus Kennedy


  Três Graças, a nova novela das nove da TV Globo, traz dois temas que se conectam e são muito comuns na realidade brasileira: a gravidez na adolescência e a maternidade solo. Esse debate será apresentado na ficção por Dira Paes, Sophie Charlotte e Alana Cabral, nos papéis de Lígia, Gerluce e Joélly, respectivamente, avó, mãe e filha. Aos 15 anos, a personagem Joélly se vê grávida, repetindo a história de sua mãe e de tantas outras meninas brasileiras reais.

  De acordo com estudo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), uma a cada 23 meninas entre 15 e 19 anos se torna mãe por ano. A pesquisa ainda aponta que entre 2020 e 2022, foram mais de 1 milhão de partos de mães adolescentes nessa faixa etária - e mais de 49 mil nascimentos de mães entre 10 e 14 anos. Para além dos riscos à saúde da mãe e do bebê, a gravidez na adolescência também escancara seus reflexos sociais. São meninas adolescentes que abandonam a escola, desistem de seus sonhos, enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, sofrem rejeição familiar e tudo isso, muitas vezes, sozinhas.

  A outra face da novela escrita por Aguinaldo Silva e companheiros é a maternidade solo no Brasil. A tríade matriarcal em Três Graças reflete a realidade de muitos lares brasileiros. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 11 milhões de mulheres brasileiras criam sozinhas seus filhos. 72% dessas mães solo vivem sem uma rede de apoio próxima, conforme pesquisa da FGV-Ibre. São mulheres que exercem a maternidade sobrecarregadas financeiramente, pois são também as responsáveis pelo orçamento familiar, e emocionalmente. Vale ressaltar outros recortes sociais, econômicos e raciais que se cruzam em todas essas realidades: tanto as meninas que engravidam precocemente quanto as mães solo são, em sua maioria, negras, pobres e moradoras de comunidades.

  A arte imita a vida. Colocar em pauta em horário nobre essas questões para todo o país é oportunidade para reflexão. Levar informação de qualidade sobre os riscos de uma gravidez precoce e as maneiras de evitá-la às adolescentes é essencial. Da mesma forma, criar redes de apoio às milhares de mães solo no Brasil é exercício de solidariedade e acolhida que tanto precisam. Aos homens, assumam suas responsabilidades. Foi bom "fazer" o filho? Melhor ainda será criá-lo junto à mãe.


São Carlo Acutis e Nossa Senhora Aparecida: santo millennial é celebrado no mesmo dia da padroeira do Brasil

     Por: Leandro Gomes

    No último dia 12, São Carlo Acutis foi celebrado oficialmente pela primeira vez como um santo, pouco tempo após sua canonização pela Santa Igreja Católica. Coincidentemente ou não, ele mantinha uma forte ligação com Nossa Senhora.

Mas, por que definiram o dia 12/10 como o dia de sua celebração no calendário litúrgico? Acredite, motivos não faltam!

Motivos para a celebração no dia 12/10

Data de falecimento: São Carlo Acutis faleceu em um 12 de outubro, no ano de 2006, vitimado pela leucemia. Como é tradição da Igreja, a data de celebração de um santo é justamente a mesma de sua morte, o que, por si só, já explicaria tal decisão. No entanto, temos ainda mais motivos.

Devoção a Nossa Senhora: O santo tinha grande devoção a Nossa Senhora. Entre muitos, um de seus lemas era diretamente ligado à Mãe de Deus: "Lembre-se de recitar o Rosário todos os dias". Relembrando as palavras ditas por Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos. São Carlo Acutis também costumava dizer: "A única mulher da minha vida é Nossa Senhora".

Primeiro milagre atribuído: Um motivo igualmente forte foi justamente o fato de o primeiro milagre atribuído ao santo ter acontecido em um 12/10, durante uma celebração a Nossa Senhora Aparecida, em uma capela na cidade de Campo Grande (MS). Um garotinho chamado Matheus, que na época tinha apenas 6 anos, sofria de uma doença grave no pâncreas chamada pâncreas anular congênito. Isso fazia com que ele não conseguisse comer direito, vomitava tudo e precisava de acompanhamento médico constante.

O milagre

Naquele 12 de outubro, levaram Matheus até a capela de Nossa Senhora Aparecida, onde estava exposta uma relíquia do então "Servo de Deus" Carlo Acutis. Relíquia essa sendo um pedaço de uma camisa utilizada por Carlo. A família, bastante católica, rezou pedindo intercessão.

Pouco tempo depois, veio o inacreditável: o garoto começou a comer normalmente. Sem dor, sem vômito, sem absolutamente nada. Os médicos ficaram confusos. Fizeram exames e... o pâncreas dele estava completamente normal. Curado. Sem explicação científica. A notícia foi levada ao Vaticano e, após uma investigação minuciosa com médicos, teólogos e especialistas, o milagre foi oficialmente reconhecido em 2020. Esse foi o sinal que faltava para Carlo Acutis ser beatificado.

Santuário Arquidiocesano

A Capela Nossa Senhora Aparecida, a mesma onde ocorreu o milagre, foi oficialmente elevada à condição de Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida e São Carlo Acutis, no último domingo, dia 12 de outubro do corrente ano de 2025, sendo o primeiro santuário do mundo dedicado ao santo. Tal elevação está diretamente relacionada ao milagre atribuído a São Carlo Acutis, ocorrido na referida capela. Com isso, Campo Grande se torna referência internacional na devoção ao santo.

Adultização Infantil e seus Impactos 

Por Ruan Vieira


Há um mês, um debate entrou em cena no Brasil, após um vídeo feito pelo influenciador Felipe Brassanim Pereira, o Felca, viralizar nas redes sociais. O vídeo que, atualmente, soma 50 milhões de visualizações no Youtube, tratou a respeito da exploração de crianças na internet e trouxe à tona um termo que se tornou pauta central de discussão, a adultização infantil. Esse fenômeno de adultização vem sendo estudado há mais de 100 anos. Todavia, nos tempos atuais, o contato com a internet e o uso do celular têm contribuído para a exposição das crianças nas redes.

Infelizmente, com cada vez mais acesso às telas e à internet, as crianças passaram a ter contato com muito conteúdo — e, muitas vezes, elas próprias viraram criadoras e influenciadoras nas redes sociais. Essa exposição precoce afeta não somente à imagem da criança, mas também ao seu cérebro — ainda em formação. 

Ao longo dos anos, estudos revelaram que pessoas submetidas à adultização têm mais chance de sofrer de ansiedade, depressão, dificuldade de socialização, falta de empatia, problemas no processo de aprendizagem e dificuldade de atenção. E quando esse processo envolve questões relacionadas à sexualidade, como acesso a conteúdos pornográficos, ou comentários sobre o corpo, pesquisas também observaram prejuízos relacionados à autoimagem, à autoestima e ao risco de uma sexualização excessiva.

A adultização é como uma aceleração forçada do desenvolvimento infantil, fazendo com que as crianças adotem comportamentos ou responsabilidades que não correspondem à idade delas. Esse processo pode acontecer de várias formas: seja ao sobrecarregar a criança com tarefas de adulto — como torná-la responsável por cuidar dos irmãos ou ajudar nas finanças de casa —, ao impor uma cobrança excessiva sobre desempenho escolar ou esportivo, ou ainda ao permitir que ela tenha acesso a conteúdos inadequados para a idade dela, como vídeos sexualizados.

O influenciador Felca chocou a internet com seu vídeo revelando como o algoritmo do TikTok pode favorecer a divulgação de conteúdo sexualizado envolvendo crianças e adolescentes. O vídeo abordou o caso de Hytalo Santos, que reunia menores em uma mansão para produzir vídeos com danças sensuais e encenações de namoro. A grande repercussão do vídeo de Felca resultou na remoção do perfil de Hytalo e na prisão do influencer.

O vídeo-denúncia de Felca também corroborou, por exemplo, na retomada do PL 2.628/2022, proposta apresentada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O projeto de lei em questão cria regras para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Entre as medidas previstas, estão a obrigatoriedade de ferramentas de controle parental acessíveis, a restrição de contato direto entre menores e adultos desconhecidos e a remoção rápida de conteúdos impróprios etc.

A coordenadora pedagógica da Educação Infantil do Centro Pedagógico do Colégio Positivo, Hannyni Mesquita, observa que a adultização ocorre quando se diminui o tempo dedicado ao brincar, ao faz de conta, ao tédio e aos conflitos próprios da infância. "Não podemos subestimar a importância do brincar e do exercício da imaginação na vida de uma criança. A brincadeira é a ferramenta mais poderosa para que ela reinterprete o mundo, crie enredos, vivencie um espaço seguro e se prepare para os desafios que enfrentará na vida real, descobrindo e desenvolvendo-se em todas as áreas. Essa é a linguagem da infância", explica Hannyni.

A coordenadora também faz um alerta sobre o uso excessivo de telas nessa fase da vida. "É fundamental que os pais definam limites claros para o uso de tecnologia. Isso não é fácil, mas é possível. O ideal é começar com pequenos acordos e mudar a cultura da própria família. Os pais devem aproveitar e dedicar tempo de qualidade para atividades em família que permitam uma conexão mais profunda, incluindo tempo para ouvir as preocupações da criança", completa.

É dever da família, antes de tudo, proporcionar um ambiente acolhedor e lúdico para as crianças se divertirem e vivenciarem experiências correspondentes à sua faixa etária. Ao invés de presentear as crianças com um dispositivo eletrônico antes do tempo, tem que dar de presentes brinquedos e livros, bem como incentivá-las a colorir, desenhar e brincar.

O BRASIL FAZ HISTÓRIA


Por: Matheus Kennedy e Dayana Lima


   135 anos de República. No dia 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) realizou feito inédito: condenou um ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, e mais sete réus, entre eles três generais e um almirante, por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa e outros crimes que visavam pôr fim à ordem institucional democrática estabelecida pela Constituição de 1988. Na definição das penas, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses.

  Como definiu a ministra Cármen Lúcia em seu voto que selou o destino do ex-presidente, o julgamento da trama golpista é um encontro do Brasil "com seu passado, seu presente e seu futuro", ressaltando que nestes mais de cem anos de vida republicana, iniciada por um golpe militar, o Brasil viveu e testemunhou diversas tentativas de golpes e quarteladas, bem sucedidas ou fracassadas, mas que nunca tiveram seus responsáveis punidos, como bem atesta o historiador Carlos Fico em seu livro "Utopia autoritária brasileira", destacando as constantes intromissões dos militares na vida democrática do país.

  Ao condenar um ex-presidente da República por crimes contra o Estado de Direito, o Supremo Tribunal Federal reafirma não apenas seu papel de defensor da Constituição, mas também o princípio fundamental de que ninguém está acima da lei. Consolidando a ideia de que a democracia deve ser defendida com rigor e responsabilidade.

  No entanto, o cenário político permanece preocupante. As propostas de anistia que surgem no Congresso configuram um sério risco à ordem democrática, pois poderiam criar precedentes que comprometeriam a solidez institucional e enfraqueceriam o equilíbrio entre os poderes. Anistiar crimes contra a democracia seria um retrocesso, transmitindo a mensagem de que ataques às instituições podem ocorrer sem consequências.

   Internacionalmente,as reações também chamam atenção. Declarações de figuras políticas estrangeiras, como Donald Trump, que criticaram a decisão, evidenciam que o episódio ultrapassa as fronteiras brasileiras, inserindo-se no debate global sobre democracia, autoritarismo e responsabilidade de líderes políticos. Tais posicionamentos podem servir de combustível para narrativas que buscam deslegitimar o processo judicial e intensificar tensões internas.

   Mais do que punir, o julgamento é um alerta sobre a fragilidade da democracia e a necessidade de vigilância constante. O episódio evidencia que a democracia precisa ser exercida por cada cidadão,somente assim será possível impedir que ataques à ordem democrática se repitam e garantir que o país consolide uma cultura política baseada na responsabilidade, na transparência e no respeito às leis.

PEC DA BLINDAGEM, UMA ABERRAÇÃO LEGISLATIVA


Por: Matheus Kennedy


  Legislar em causa própria é uma das modalidades prediletas do Congresso Nacional brasileiro. A bola da vez foi a chamada "PEC da Blindagem, ou como preferem suas excelências, "PEC das Prerrogativas", que propõe, nada mais, nada menos, que os parlamentares estarão protegidos/blindados de investigações policiais se estas não forem autorizadas, vejam só, pelo próprio Congresso. Fazem parte desse pacotão a proposta de fim do foro privilegiado, querida do centrão para fugir da vista do STF nas investigações sobre desvios de emendas parlamentares, e a PEC da Anistia, pauta absoluta do bolsonarismo.

  Como diz o dito popular, "quem come apressado come cru e quente", os parlamentares não conseguiram levar adiante essa proposta dessa vez, dado o desgaste e o clima de "barata voa" entre as lideranças da Câmara, mas nada impede que, mais à frente, essa proposta "ressuscite" e seja aprovada. E, assim, vão às favas o poder da Justiça autorizar investigações, O Ministério Público denunciar e a polícia investigar.

 Ao tentar criar a "casta dos intocáveis", os deputados estarão abrindo as portas para que o crime organizado, traficantes e mafiosos de toda espécie adentrem, solenemente, o Congresso Nacional, uma vez que já dominam, em muitos lugares, câmaras de vereadores e assembleias legislativas. Afinal, qual criminoso não gosta da opacidade e blindagem sobre suas ações?

 E assim caminhamos sem que os digníssimos parlamentares se preocupem com pautas urgentes, reais e importantes para a população brasileira. Não falta trabalho. A energia, porém, é gasta com outro foco.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: UMA EPIDEMIA SEM FIM

Por: Matheus Kennedy


  61 socos. Assim foi a violência sofrida por Juliana Garcia cometida por seu (então) namorado Igor Cabral, preso em flagrante. O crime aconteceu no dia 26 de julho, num elevador de um prédio na cidade de Natal (RN). O episódio chocou o Brasil e traz à tona a escalada da violência contra a mulher no país. Vamos aos números.

  Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2024, foi registrado o maior número de estupros da história (87.545 vítimas); 1.492 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2024, o que equivale à quatro mortes de mulheres por dia. 63,6% das vítimas eram negras e 70,5 % tinham entre 18 e 44 anos. Outro dado significativo aponta que 8 em cada 10 mulheres foram mortas por companheiros ou ex-companheiros. Os casos de tentativa de feminicídio, situação vivida por Juliana, deram um salto de 19% em relação a 2023, atingindo a triste marca de 3.870 registros.

 Vale considerar que esses números são referentes aos casos registrados, denunciados às autoridades policiais. Ainda há muita subnotificação, decorrente do medo, das ameaças sofridas ou da sensação de impunidade que se arvora sobre as mulheres vítimas de violência. Mas um fato é inconteste: vivemos, e não é de hoje, uma epidemia de violências contras mulheres que parece sem fim. Apesar do arsenal legal, robusto, diga-se de passagem, de proteção às mulheres (da Lei Maria da Penha, passando pela Lei do Feminicídio e do stalking), elas ainda sucumbem, na maioria dos casos, em suas próprias casas, por aqueles que diziam as amar.

 Não basta punir os agressores/feminicidas. Só conseguiremos mudar essa triste realidade modificando nossa cultura, construída sob o patriarcado e o machismo/misoginia que relegou às mulheres papéis secundários, objetificadas e tratadas por apêndices dos homens. É preciso educar os meninos, desde cedo, para o respeito e valorização das mulheres a fim de que cresçam e se tornem homens parceiros dessa luta. E as meninas/mulheres precisam continuar sendo encorajadas e protegidas para denunciar qualquer ato de violência sofrido. Não podemos compactuar com a espiral do ódio e da violência, muitas vezes, fatal, contra as mulheres. Nenhuma sociedade terá progresso sem mulheres vivas e protegidas.


RESENHA DO LIVRO "ESTOU FARTO DO LIRISMO COMEDIDO", DE RUAN VIEIRA


Por: Matheus Kennedy


 Ruan Vieira é um exímio bailarino das palavras. A poesia, sua sapatilha, lhe calça muito bem. "Estou farto do lirismo comedido", publicado pela Mondru Editora, é um grito de basta à poesia que se preocupa mais com a forma do que com o conteúdo; à poesia que prioriza mais a métrica e a estética do que o sentimento. Reunindo diversos poemas, alguns deles, por meio da intertextualidade, dialogando com textos de autores como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa e Paulo Leminski, Ruan vai traçando um caminho poético que capta, com sensibilidade e habilidade, a poesia presente no mundo, no dia a dia, em cada momento experimentado.

  O primeiro texto que inaugura o livro, intitulado "Poesia de Cada Dia" , é uma espécie de "testamento" do que a obra do jovem poeta sergipano propõe. Ruan defende a ideia de que a poesia, mais que uma arte, é um sentimento humano e, portanto, está presente em todos os ambientes e todas as pessoas são capazes de poetizar as suas vidas, quebrando a lógica da poesia como um exercício essencialmente acadêmico ou especializado. É nesse ínterim, que ele exalta a poesia livre das amarras da gramática e das regras que tornariam, aos moldes parnasianos, um poema belo e perfeito. "Fique com a Sintaxe da Gramática e me deixe com a Semântica da Poesia", asseverou.

  Os poemas-paródias de Ruan são resultados de uma genialidade única. "No meio do caminho, um passarinho", recuperando a máxima drummondiana, é um hino à liberdade (daí o passarinho), que a pedra de Drummond impossibilitaria. "Oração ao vento", paródia da música "Oração ao tempo", de Caetano Veloso, é um dos meus prediletos. Cantando ao vento, o poeta chama um amigo, pedindo sua suave ou intempestiva presença em sua vida e no movimento dos destinos. Li cantando.

  Utilizando recursos como metáforas, ironias e versos livres, sob fortes influências literárias e musicais, nasce uma poesia que aborda questões existenciais, tais como a infância em "Aurora da minha vida", a presença e importância da figura materna em "Minha mãe é uma semideusa", a existência divina, à la Nietzsche, em "Paradoxo do divino", a traição em "O beijo de Judas" e o patriotismo genuíno em "Canto a minha terra".

  Mas a poesia de Ruan não termina por aí. Há também alguns poemas com forte teor erótico, alguns mais explícitos que outros, como em "Sem nem sequer saber de poesia", onde o eu lírico afirma que conhece ("viajou") o corpo da amada, evidenciando que o ato sexual, ou melhor, transar, também é uma forma de se fazer poesia, a arte de cantar/fazer o amor.

  São muitos os poemas que compõem a obra do jovem poeta sergipano e este texto não daria conta de destrinchar cada um deles. Selecionei aqueles que me tocaram mais fortemente. E encerro com o poema-paródia "Tecendo o texto", uma canção do fazer poético, que reflete a clareza de Ruan, volto a dizer, como um bailarino das palavras, que sabe conduzir e construir, palavra por palavra, verso por verso, significados, sentimentos, verdades inauditas. "Uma palavra sozinha não tece um texto: ela precisará sempre de outras palavras".

 Precisaremos sempre, mais e mais, da poesia de Ruan, que só ele sabe tecer.


O uso da IA na disseminação de Fake News

Por Ruan Vieira


Um vídeo falso vem circulando nas redes sociais no qual o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aparece dizendo que "errou" com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que vai apoiá-lo nas eleições de 2026. O vídeo que viralizou desde o último domingo, 27, está com legendas que alegam que se trata de um novo "pronunciamento" e mostra o ministro sentado em frente a um microfone. O registro aparece no Instagram e no TikTok, com mais de 1,6 milhão de visualizações.

O áudio manipulado atribuído ao ministro diz: "Errei com Jair Bolsonaro e errei com muitos de vocês. O Brasil precisa de paz, precisa de união e eu sei que Bolsonaro é a pessoa que pode conduzir o país em 2026. [...]. Eu declaro o meu apoio a Jair Bolsonaro para 2026".

Nove dias antes da cena fake se disseminar, Moraes determinou medidas cautelares contra Bolsonaro, como a proibição do uso de redes sociais e o uso de tornozeleira eletrônica.

O vídeo passou por uma análise no Hive Moderation, ferramenta de detecção de IA em vídeos e imagens, e apresentou sinais de manipulação; O resultado obtido foi de 76,9 % de chances do material ter sido produzido com recursos da Inteligência Artificial.

A Inteligência Artificial (Artificial Intelligence) é um campo da ciência da computação que tem como propósito estudar, desenvolver e empregar máquinas para realizar tarefas humanas de maneira autônoma. Porém, o termo é genericamente associado aos programas e aplicativos que possuem essa propriedade.

Esse tipo de tecnologia permite que o usuário crie todo o tipo de desinformação, desde a criação de áudios e imagens aos vídeos que parecem reais. Nos casos da criação de áudios, é possível gerar gravações com a voz de políticos ou famosos falando algo que eles na verdade nunca disseram. Essa tecnologia também tem sido usada para aplicar golpes. Os golpistas usam áudios de postagens de redes sociais para gerar uma voz que se assemelha a do indivíduo, por meio de IA. Assim, chantageiam os familiares e conhecidos dessa pessoa, fazendo parecer que ela foi sequestrada.

Em 2023, imagens falsas do Papa Francisco usando um casaco de grife viralizaram nas redes. Porém, as fotos não são reais e foram criadas por um programa de IA, o Midjourney. Outro exemplo de imagens falsas geradas por IA que repercutiram, em 2023, foram as do atual presidente dos EUA, Donald Trump, sendo preso.

É preciso estudar e criar meios de fiscalização e controle dos usos da IA nas redes sociais. A tecnologia, quando em boas mãos e usada para bons fins, faz muita diferença e causa um impacto positivo. No entanto, quando usada para fins ruins, pode gerar muita dor de cabeça, prejuízos e danos irreversíveis.


'APOCALIPSE NOS TRÓPICOS': A CAPTURA DA FÉ PELA POLÍTICA


Por: Matheus Kennedy


  O documentário Apocalipse nos Trópicos (2025), dirigido por Petra Costa, investiga o crescente controle exercido por lideranças evangélicas sobre a política brasileira. O crescimento do número de brasileiros que se dizem evangélicos tem se notabilizado nos últimos tempos, refletindo na cena política do país, com a expansão e consequentemente solidificação de parlamentares evangélicos no Congresso Nacional e a instalação da famosa Bancada Evangélica e atingindo o ápice com a eleição de Jair Bolsonaro como presidente da República em 2018, considerado o primeiro presidente afeito/comprometido com as causas evangélicas.

 O filme destaca como os fatos que colocaram o Brasil nos trilhos do extremismo da direita bolsonarista foram alimentados pela instrumentalização da fé cristã, particularmente a evangélica, como estratégia política de angariação de apoio e manutenção de poder. Símbolo disso foi a indicação e posterior pressão pela aprovação de André Mendonça, o "terrivelmente evangélico", para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

  Entretanto, o documentário, talvez, peque (com o perdão do trocadilho) ao dar ênfase ao pastor midiático Silas Malafaia como porta-voz das pautas e do segmento evangélico, quando sabemos que se trata de um grupo heterogêneo, com diferentes visões de mundo e convicções políticas distintas. Há pastores evangélicos, por exemplo, no campo progressista. Malafaia, claramente, representa aqueles que deixaram a fé ser capturada pela política para a construção de um projeto de poder pessoal, atrelado ao bolsonarismo, radicalizado, intolerante e violento com as palavras. Deixou transformar o púlpito em palanque.

  Outro equívoco do filme, me parece, é apresentar aquela massa de revoltosos golpistas do 8 de janeiro de 2023, que atacaram os prédios dos Três Poderes em Brasília, como se fosse formada apenas por evangélicos, quando, na verdade, a base bolsonarista também é formada por militares e segmentos do agro, por exemplo, também envolvidos nesses atos.

  Apesar das múltiplas interpretações que o termo "Apocalipse" suscita, acredito que foi uma boa sacada inseri-lo no título do documentário, posto que não se trata da apresentação de uma espécie de "fim do mundo" do Brasil cada vez mais evangélico, mas sim uma "renovação" político-cultural-social a partir da fé dos crentes. Tanto é que o próprio filme apresenta o presidente Lula, então candidato em 2022, reconhecendo a importância e o peso político dos evangélicos, apesar de boa parte do segmento ser refratário ao petista.

  Enfim, Petra Costa presta um serviço à sociedade com esta película. O Brasil cada vez mais crente, precisa conhecer e desmistificar estereótipos atrelados àqueles que confessam o protestantismo para que a sua relação com a política brasileira seja mais transparente, menos coaptada e histriônica, a serviço dos valores cristãos e não aos interesses particulares de suas lideranças.



O discurso Robin Hood

Por: Matheus Kennedy


  A defesa da taxação dos super-ricos, defendida pelo governo Lula 3, nada mais é do que uma bandeira histórica do PT. O discurso "pobres x ricos" traduz a luta de classes, pauta programática presente desde a carta de fundação do Partido dos Trabalhadores, de teor marxista. Até aí nada surpreendente.

 Este colunista considera importante a ideia da justiça tributária. É incompreensível que menos de 1% ou 2% da população brasileira pague menos impostos que a grande massa, formada, majoritariamente, por pobres e trabalhadores. Não querer mexer nesse vespeiro é achar normal a histórica desigualdade econômica-social que impera no Brasil desde sua colonização e querer incorporá-la à paisagem. Este é outro ponto.

  Entretanto, por mais que seja uma estratégia política e de comunicação do governo, do PT e sua militância, o discurso "pobres x ricos" não pode descambar para a tentativa de imprimir no Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados e no seu presidente, Hugo Motta, a pecha de "aliados dos ricos" e "inimigos dos pobres". O governo já enfrenta grandes dificuldades no seu relacionamento com o parlamento. Querer colocar o povo contra os parlamentares não ajuda, na verdade, piora essa situação.

   Da mesma forma que Lula foi eleito pelo voto popular para exercer seu terceiro mandato, os deputados do Centrão também foram. Acho que o governo pode levantar a bandeira da taxação dos super-ricos (e defendo, inclusive), mas sem colocar o "nós contra eles" envolvendo as relações institucionais entre os poderes. O discurso do Robin Hood (tirar dos ricos para dar aos pobres) pode tirar Lula das cordas, mas a que preço?


Entrevista: Valter Pomar

Por: Matheus Kennedy 

   Candidato à presidência nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Valter Pomar comenta, nesta entrevista, sobre as dificuldades do governo Lula 3 com o Congresso e as perspectivas eleitorais de Lula e do PT em 2026. Confira a entrevista. 


  1. O governo Lula 3 foi eleito em 2022 com uma frente ampla e heterogênea de partidos. Entretanto, tem enfrentado inúmeras dificuldades e derrotas, como na questão do IOF, mais recentemente, inclusive com a maioria de votos advinda de partidos considerados da base. Como você entende a relação do governo com o Congresso nesta segunda metade do governo?

Lula foi eleito em 2022 por uma razão fundamental: o apoio dos trabalhadores pobres, periféricos, especialmente mulheres, negros e negras, moradores do nordeste. A contribuição de outros setores teve menor importância. Depois da eleição, o governo incorporou setores da direita que não apoiaram Lula, nem no primeiro, nem no segundo turno. Todos estes setores de direita tem um ponto em comum: são neoliberais. Portanto, suas políticas prejudicam o povo e favorecem os ricos. Agora, no episódio do IOF, isso ficou escancarado. Também ficou escancarado que estes setores da direita estão em campanha aberta para travar o governo em 2025 e derrotar o PT e Lula em 2026.

Sendo assim, a relação do governo com estes setores – que são majoritários no atual Congresso – deve ser a de denúncia e enfrentamento. Inclusive demitindo os ministros vinculados a eles. Importante dizer: isto não é uma opção do governo. Isto foi uma opção deles. O governo tem que reagir a algo que eles fizeram e eles escolheram.

2. Frente a essa situação de dificuldades com o Congresso, o governo tem adotado o discurso da justiça tributária, sendo acusado de incitar os pobres contra os ricos. Esse discurso, apesar de válido, não pode contribuir para o fortalecimento da polarização?

Dizem que a prática é mais importante que o discurso. A prática da direita qual é? A de favorecer os ricos. Portanto, embora não fale em polarizar, o Congresso estimula a polarização social. Qual deve ser a nossa reação? Derrotar o Congresso, para garantir recursos que permitam implementar políticas públicas que, ao fim e ao cabo, vão reduzir a polarização social. Mas para derrotar o congresso, é preciso explicar para o povo o que está ocorrendo e é preciso, também, mobilizar o povo. Essa explicação e essa mobilização são a chamada polarização política. Mas nesse caso trata-se de uma reação contra a polarização social que a direita e os ricos promovem, mas sem falar que estão promovendo. Portanto, a polarização já existe e ela é de responsabilidade das elites: por isso, aliás, o Brasil é o país mais desigual do mundo. A atitude do governo e do PT é reativa. Não estamos criando a polarização. Estamos evitando que a polarização seja feita num só sentido, deles contra nós. Portanto, nesse sentido, é necessário e positivo contribuir para o fortalecimento da polarização.

3. Apesar das dificuldades no governo e da queda nos níveis de aprovação, Lula deve se candidatar à reeleição em 2026. O que você defende para que o petista conquiste seu quarto mandato?

Defendo que neste ano de 2025 se retome o programa apresentado em 2022, a saber: reconstrução e transformação. A palavra "transformação" estava no título do programa que Lula inscreveu no Tribunal Superior Eleitoral. Mas depois desapareceu. Hoje, é preciso retomar aquela ideia e tirar consequências práticas. A principal consequência prática é: ampliar todas as políticas voltadas a defender os pobres, os trabalhadores, as mulheres, os negros e negras, a juventude, as regiões menos favorecidas do país. Destaco os temas da reforma agrária, da redução da jornada de trabalho, do fim da escala 6x1, da tributação dos ricos, da ampliação do valor das aposentadorias e de um salário que permita viver uma vida digna.

4- Você é um dos candidatos à presidência nacional do PT. Como você enxerga a postura do partido e a perspectiva de um futuro no pós-Lula?

Não estou preocupado com o pós-Lula, estou preocupado em eleger novamente Lula presidente em 2026. Sobre o futuro distante, tudo dependerá do Partido continuar sendo dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. Se continuarmos conectados com nossa classe, implantados no território, controlados pela base militante, teremos um grande futuro pela frente.



Guardiães da natureza

Por: Ruan Vieira

Os povos originários desempenham um papel relevante no cuidado e na preservação do meio ambiente. Particularmente, acredito que o capitalismo selvagem não devastou a nossa floresta Amazônica, por exemplo, ou a natureza porque ainda há pessoas nesse país e no mundo que lutam, protegem e preservam o meio ambiente. Em nossa história e cultura, bem como em nossas veias, percorre o sangue indígena e esse fato não pode ser esquecido nem ignorado. Temos que resgatar os bons costumes e cuidar da Mãe Natureza como os indígenas ainda o fazem. Para os Yanomamis, as árvores são colunas de sustentação do céu, portanto, a destruição das florestas irá ocasionar na "queda do céu" e no fim da humanidade.

Infelizmente, nem todos nós pensamos assim. O nosso planeta está morrendo, aos poucos, os oceanos estão cada vez mais sujos, o aquecimento global está mais evidente e o meio ambiente está sofrendo os impactos negativos dos maus costumes e más práticas dos seres humanos que não se importam com a natureza, com a sua própria geração e com as futuras gerações. Segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), impacto ambiental é qualquer intervenção humana que possa ter efeitos positivos ou negativos no meio ambiente. Essa interferência pode ser biológica, química ou física e afetar biomas, saúde, segurança e bem-estar da população.

O Brasil sofre com diversas consequências dos danos ambientais causados pelo descaso de empresas, indústrias e instituições governamentais. Eventos como o rompimento da barragem em Mariana (2015); o rompimento da barragem em Brumadinho (2019) e as enchentes no Rio Grande do Sul (2024), são alguns exemplos que, direta ou indiretamente, têm a ver com as ações humanas.

Cuidar do meio ambiente é urgente e devemos aprender e desempenhar, com os indígenas, o papel de "guardiães da natureza". O planeta é a nossa casa. Temos que plantar ações positivas para construir um bom futuro não só para as nossas famílias, mas também para todo o mundo. Os povos indígenas são mais que guardiães do meio ambiente, pois se compreendem como natureza, estabelecem modelos de trocas equilibradas — e não monetárias — com todos os outros seres, preservando biomas e mantendo a biodiversidade de ecossistemas. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), os povos indígenas protegem e preservam 80% da biodiversidade mundial, entre animais, plantas, rios, lagos e áreas marinhas; cuidam das pastagens e do cultivo preservando fauna e flora; preservam o solo, conservam a água e diminuem o risco de desastres; Na Amazônia, por exemplo, povos indígenas defendem a floresta de queimadas, desmatamentos e mineração ilegal, protegendo a biodiversidade. 

Vamos fazer a nossa parte. Deixo aqui algumas sugestões práticas para contribuir no cuidado e na preservação do meio ambiente:


Nova geografia da fé no Brasil 
 
 Entrevista com Jonas Ramos - Mestre em Teologia, Pesquisador em Ciências Sociais e das Religiões 

1- O Censo do IBGE realizado em 2022 confirmou uma sequência de queda no número de brasileiros que se declaram católicos. A pesquisa aponta que o catolicismo, apesar de ainda ser maioria, segue em declínio: caiu de 65% para 56,7% da população entre 2010 e 2022. Em contrapartida, o número de brasileiros que se dizem evangélicos continua crescendo, apesar de que não houve um boom como alguns pesquisadores esperavam. Como você enxerga essa dinâmica? Houve um recuo no crescimento evangélico?

Exato, esperava-se um crescimento superior, a estimativa era superar os fiéis católicos até a 2030/32, entretanto, alguns fatores afetaram essa subida. Se retornarmos para os anos de pandemia de Covid-19, verificaremos que as relações dos religiosos com a espiritualidade e o consumo dos produtos religiosos (cultos, músicas, devocionais e etc.) foi digitalizada e individualizada. Assim, o que era tradição entre as famílias de frequentar aquela igreja local, ouvir o mesmo líder religioso, participar dos grupos de interesse (jovens, senhoras, grupos de oração) teve a possibilidade de encontrar outras vozes, motivos e sentimentos.Esse fenômeno de digitalização da experiência religiosa combinada com o discurso extremistas político presente nos púlpitos pode ter contribuído significativamente para essa alteração.

Além disso, seria necessário observar mais atentamente o trânsito religioso, haveriam os católicos migrado para a religião evangélica, ou para religiões espíritas e matriz africana? Toda a complexidade do período pesquisado em termos de crises sanitárias, existenciais e tentativas de encontrar resposta para o sofrimento e a morte em outras matrizes religiosas pode ter influenciado o índice.

O desencantamento com a religião tradicional da família é a politização extremada dessa também pode ter levado alguns a manifestarem a crença em algo, algum Deus, mas já não se considerarem dessa ou daquela religião


2- O crescimento evangélico no Brasil é um fenômeno de muitos anos, mas seus impactos têm sido debatidos nos últimos anos. Quais são os fatores que justificam esse incremento no número de brasileiros que se dizem pertencentes a alguma denominação protestante? Como esse crescimento evangélico se reflete em outros espaços sociais como a política e o mundo do trabalho?

O desenvolvimento midiático da comunicação evangélica através principalmente das mídias sociais pode ter influenciado essa migração, com isso, dizer-se evangélico tornou-se uma nova trend. Desde o futebol com o ex-jogador Kaká fazendo gols e dedicando ao seu Deus, a influencers e cantores de pop e funk que continuam a carreira em paralelo com a adoção de fé evangélica. A partir disso, a influência do discurso é eventual mudança de práticas e pensamentos pode acontecer.

É inegável também que o crescente moralismo político e religioso também provocou uma certa aderência ao movimento. A construção idealista de inimigos demonizados na figura de religiões não hegemônicas e principalmente do fantasma do comunismo foi ressuscitada do período pré-ditatorial brasileiro. Neste sentido, paradoxalmente ao discurso do maior pensadores do cristianismo, Jesus, e até mesmo das leis do primeiro testamento (Deuteronômio principalmente), dizer-se a favor de direitos e políticas de proteção a pessoas em situação de vulnerabilidade foi relacionado ao pensamento comunista, sem ao menos que se pudesse entender o que o comunismo de fato seria.

As possíveis influências dessa construção na sociedade podem ser vistas no distanciamento e discussões entre amigos de longa data e familiares por questões políticas, instrumentalizados pela religião através dos discursos dos líderes religiosos e demais agentes de influência nesse campo. O mesmo pode se notar nas relações de trabalho com menor ou maior consciência acerca da exploração da mão de obra de um lado, de outro a promoção da Teologia da prosperidade e Teologia coach, que promovem certa ideologia de conquista e domínio das esferas da sociedade. Essa percepção também advém da ideia de guerra espiritual, o que de fato complica todas as demais relações.

3- Um dado curioso revelado pelo Censo do IBGE é o ligeiro aumento no número de brasileiros que se dizem praticantes de religiões de matriz africana e tradições indígenas. Essas religiosidades, historicamente, foram silenciadas no Brasil. O que explica/pode explicar esse aumento?


O Brasil é um país marcado por uma profunda diversidade religiosa, embora essa pluralidade nem sempre tenha sido igualmente reconhecida ou respeitada no espaço público. Historicamente, as religiões de matriz africana e as tradições espirituais indígenas foram sistematicamente marginalizadas, silenciadas e associadas a estigmas, como resultado direto dos processos de colonização, escravização e da hegemonia cristã no imaginário nacional. Essa repressão simbólica e institucional produziu efeitos duradouros, restringindo a visibilidade e a liberdade religiosa desses grupos.

Diante desse contexto, o leve crescimento identificado pelo Censo do IBGE no número de pessoas que se autodeclaram praticantes dessas tradições religiosas deve ser compreendido à luz de transformações socioculturais mais amplas. Um dos principais fatores explicativos é o fortalecimento dos movimentos identitários e antirracistas no Brasil, especialmente nas últimas duas décadas, que têm promovido uma revalorização das ancestralidades africanas e indígenas como formas legítimas de resistência e afirmação cultural. Nesse sentido, assumir uma espiritualidade vinculada às raízes étnico-raciais passa a ser, também, um ato político de afirmação identitária.

Além disso, a crescente presença midiática de personalidades públicas – como artistas, influenciadores e humoristas – que se identificam com religiões como o Candomblé e a Umbanda tem contribuído significativamente para a ressignificação dessas crenças no imaginário coletivo. A popularização desses discursos nas redes sociais e na grande mídia tem ampliado o espaço simbólico e diminuído o estigma, criando um ambiente minimamente mais seguro para que os indivíduos se reconheçam e se apresentem como adeptos dessas tradições.


Contudo, é importante destacar que essa visibilidade não ocorre sem tensões. O II Relatório sobre Intolerância Religiosa: Brasil, América Latina e Caribe (2023) aponta que as religiões de matriz africana continuam a ser as principais vítimas de discriminação e violência religiosa. O mesmo relatório evidencia que setores do campo evangélico, sobretudo pentecostais e neopentecostais, figuram entre os principais agentes dessa intolerância, reproduzindo um padrão histórico de exclusão e perseguição.

Assim, embora o crescimento quantitativo seja um indicativo positivo de maior reconhecimento e liberdade religiosa, ele também revela a urgência de políticas públicas mais eficazes na garantia dos direitos fundamentais à liberdade de crença e culto, bem como a necessidade de um enfrentamento mais contundente às estruturas que sustentam o racismo religioso no Brasil.

4- O Censo também registrou um aumento no número de brasileiros que se declaram sem religião, que agora são 9,3% da população. O que pode explicar esse número?

Nas sociedades contemporâneas, observa-se uma crescente tendência à secularização, caracterizada pelo declínio da autoridade religiosa nas esferas públicas e privadas. Esse processo, intensificado por transformações culturais, avanços científicos e desconfiança nas instituições religiosas, tem provocado mudanças significativas nos padrões de filiação e identificação religiosa. O aumento registrado pelo Censo do IBGE de 2022 – que indica que 9,3% da população brasileira se declara sem religião – deve ser compreendido a partir desse panorama mais amplo.

Em primeiro lugar, a retração do catolicismo, que por séculos representou a maioria quase absoluta da população brasileira, associada à estagnação ou crescimento tímido do evangelicalismo em alguns segmentos, revela uma reconfiguração do campo religioso brasileiro. A perda de credibilidade de determinadas instituições religiosas, seja por escândalos, manipulações da fé ou por sua vinculação com discursos políticos extremistas, tem levado muitos indivíduos a se distanciar de práticas religiosas formais, mesmo mantendo, por vezes, alguma espiritualidade pessoal.

No caso específico do evangelicalismo, a instrumentalização político-partidária da fé nos últimos anos, sobretudo em contextos marcados por polarização e discursos autoritários – como os episódios de manifestações antidemocráticas, retóricas de ódio e atitudes discriminatórias encampadas por certos grupos religiosos – contribuiu para um processo de desencanto e desidentificação. Muitos sujeitos que anteriormente se identificavam como evangélicos ou católicos passaram a evitar essa rotulação, como forma de dissociar-se das distorções públicas associadas a esses grupos.

Adicionalmente, o avanço do conhecimento científico, especialmente em tempos de crise sanitária como a pandemia de COVID-19, evidenciou os limites das respostas tradicionais oferecidas por instituições religiosas diante do sofrimento humano, da morte e da busca por sentido. A ausência de respostas convincentes por parte de lideranças religiosas frente ao sofrimento coletivo contribuiu para o fortalecimento do ceticismo e da busca por explicações racionais e empíricas, provocando um afastamento ainda maior das formas religiosas institucionalizadas.

Portanto, o crescimento da população que se declara sem religião no Brasil não representa, necessariamente, uma negação da espiritualidade, mas sim uma reconfiguração da relação do sujeito com o sagrado, marcada por maior autonomia, crítica institucional e valorização de outras formas de produção de sentido – como a ciência, a filosofia e a espiritualidade individualizada. Esse fenômeno demanda um olhar atento das ciências da religião e das políticas públicas, especialmente no que tange à liberdade de consciência e à pluralidade de crenças na sociedade brasileira contemporânea.

5- Entre os jovens, o IBGE observou que eles tendem às denominações evangélicas ou não expressam nenhuma religião. Como você entende a relação entre fé e os anseios das juventudes no Brasil?


Nas sociedades contemporâneas, a juventude tem se constituído como um grupo social especialmente sensível às transformações culturais, políticas e tecnológicas. A relação dos jovens com a religião, nesse contexto, não escapa a essas dinâmicas. Dados do Censo do IBGE apontam que os jovens brasileiros tendem, majoritariamente, a se identificar com denominações evangélicas ou a não expressar nenhuma filiação religiosa. Tal fenômeno revela a complexidade das relações entre fé, subjetividade juvenil e os anseios de uma geração marcada por mudanças profundas em relação às formas tradicionais de autoridade.

De modo geral, as novas gerações, especialmente a Geração Z, apresentam maior fluidez nas construções de identidade, conforme já observado por autores como Zygmunt Bauman ao discutir a modernidade líquida. Essa geração, ao contrário dos seus predecessores, não adere de forma acrítica a instituições que não dialogam com seus valores, como justiça social, inclusão, diversidade de gênero, sustentabilidade ambiental e liberdade de expressão. Quando instituições religiosas – sobretudo aquelas mais tradicionais – se mostram distantes ou contrárias a essas pautas, tornam-se menos atrativas, ou mesmo incompatíveis, com o horizonte ético e afetivo dos jovens.

Além disso, o acesso irrestrito à informação proporcionado pelas tecnologias digitais fortalece uma postura mais crítica e autônoma em relação às doutrinas religiosas. Os jovens de hoje não dependem exclusivamente de lideranças institucionais para formar suas opiniões sobre espiritualidade e moralidade. Eles exploram diferentes fontes de conhecimento, transitam entre múltiplas experiências religiosas e filosóficas, e muitas vezes constroem uma espiritualidade individualizada, não institucionalizada.

Por outro lado, o avanço de discursos político-religiosos alinhados a ideologias extremistas e excludentes tem contribuído para o afastamento de setores da juventude das religiões organizadas. Ao se perceberem confrontados com práticas que reproduzem preconceitos, promovem a intolerância e negligenciam agendas progressistas, muitos jovens optam por romper com a religiosidade herdada de suas famílias ou comunidades. Isso representa, em certa medida, um processo de desalienação, no qual a fé deixa de ser um elemento imposto e passa a ser, quando presente, fruto de escolhas conscientes e coerentes com o próprio projeto de vida.

Portanto, a relação entre fé e juventude no Brasil contemporâneo deve ser compreendida não como uma simples rejeição da religião, mas como uma reconfiguração dessa relação à luz de novos valores e demandas ético-sociais. Trata-se de um movimento que desafia as instituições religiosas a se reinventarem, a dialogarem com as pautas emergentes e a promoverem espaços verdadeiramente acolhedores, críticos e inclusivos, se desejarem permanecer relevantes para as novas gerações.

As mudanças apontadas pelo Censo de 2022 revelam uma sociedade em processo de amadurecimento no modo como lida com a religião. Partindo do reconhecimento de que a fé sempre ocupou um lugar central na formação da cultura brasileira, observa-se hoje um movimento gradual de reconfiguração desse espaço simbólico. A diminuição do catolicismo, o crescimento evangélico com novos contornos, o fortalecimento das religiões de matriz africana e indígena, o aumento dos que se declaram sem religião e o questionamento das instituições tradicionais pelas novas gerações demonstram que há, em curso, uma busca mais consciente por sentido, pertencimento e coerência entre crença e prática. Essa nova geografia religiosa não deve ser vista com receio, mas como sinal de uma sociedade que está aprendendo a respeitar a diversidade, a valorizar a liberdade de consciência e a questionar estruturas que já não dialogam com os desafios do tempo presente. Há, nesse cenário, sinais promissores de um futuro em que a espiritualidade possa ser vivida com mais liberdade, diálogo e responsabilidade ética, contribuindo para a construção de uma convivência mais justa, plural e solidária.


MEIO AMBIENTE: AS "BOIADAS", AS CONTRADIÇÕES E A COP-30 NO BRASIL

A pauta ambiental no Brasil encontra dificuldades junto ao Congresso Nacional, no ano em que o país sediará a Conferência do Clima da ONU, sendo refém de interesses econômicos equivocados que enxergam os regramentos ambientais como entraves para o desenvolvimento. Confira a entrevista com Miriam Prochnow, ambientalista e ativista climática.

 

1- Nas últimas semanas, temos visto avanços da projetos antiambientais no Congresso, especialmente o que flexibiliza o licenciamento ambiental, aprovado no Senado, onde, na semana anterior, vimos ataques à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. É fato que muitos parlamentares não simpatizam com a ministra e as pautas que ela defende. Como você enxerga essa situação?

 

Nós estamos vivenciando tempos muito complexos e difíceis. A flexibilização da Lei do licenciamento ambiental, que já está sendo conhecida com a boiada de todas as boiadas, é o exemplo claro de retrocesso civilizatório.
De acordo com a nova regra, a maioria das atividades passará a ser autorizada com o simples preenchimento de um formulário autodeclaratório, sem estudo técnico, sem consulta pública, sem fiscalização prévia. Ou seja: quem vai poluir, desmatar ou degradar, autoriza a si mesmo. É uma regra onde vale tudo e qualquer coisa em nome do lucro. Estamos indo na contramão de tudo o que precisa ser feito para combater as mudanças climáticas e dar uma chance de sobrevivência, especialmente para nós humanos. A Ministra Marina Silva é um símbolo dessa agenda e não deixa as pessoas esquecerem do que precisa ser feito, por isso os ataques, que acabam sendo ainda mais fortes pelo fato dela ser mulher.
 
2- Para muitos políticos, incluindo membros do governo Lula, as questões ambientais são entraves para o desenvolvimento econômico. Como desmontar esse argumento?

 

Pessoas que tem esse ponto de vista, pensam somente no lucro pessoal e imediato. Não é uma questão de não saber, de não ter informação. O que a sociedade precisa fazer é expor essas pessoas e deixar claro que elas não representam os interesses coletivos no sentido de defesa da vida e da qualidade de vida da população.

3- Em novembro, o Brasil sediará a COP-30, a Conferência do Clima, em Belém do Pará. Como fica a imagem do país perante o mundo com essa pauta antiambiental forte no Congresso?

 

A imagem ficará abalada. O Brasil ainda pode ser líder da agenda ambiental mundial, mas precisa enfrentar suas contradições. Tem coisas que não podem conviver, como a questão dos retrocessos na legislação ambiental e a transição energética, imaginando ainda ampliar o uso de combustíveis fósseis.

Brasil pós-pandemia: Analfabetismo funcional parou no tempo

Por: Ruan Vieira

Na era da cultura digital, o analfabetismo funcional continua assombrando o país. Mesmo após seis anos, o percentual de analfabetos funcionais continua o mesmo, conforme nova edição do Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional). O levantamento mostra que 29% dos brasileiros de 15 a 64 anos seguem nessa condição, mesmo percentual verificado em 2018. A pandemia de 2019 foi um acontecimento infeliz que afetou diversas áreas e setores da nossa sociedade. Nesse período, a educação foi bastante afetada e, se havia uma possibilidade de avanço, durante o Covid-19, essa possibilidade caiu por terra. Nós tivemos que nos reinventar e nos adaptar. No entanto, sequelas ficaram marcadas e uma das provas disso são os índices do Inaf. Em relação aos jovens, o analfabetismo funcional teve um ligeiro incremento. Em 2018, 14% dos jovens de 15 a 29 anos estavam nessa condição e o percentual aumentou para 16% em 2024. O indicador classifica as pessoas conforme o nível de alfabetismo com base em um teste aplicado a uma amostra representativa da população. Os níveis mais baixos, analfabeto e rudimentar, correspondem ao analfabetismo funcional. O nível elementar é, sozinho, o alfabetismo elementar e, os níveis mais elevados, que são o intermediário e o proficiente correspondem ao alfabetismo consolidado. Seguindo a classificação, a maior parcela da população, 36%, está no nível elementar, o que significa que compreende textos de extensão média, realizando pequenas interferências e resolve problemas envolvendo operações matemáticas básicas como soma, subtração, divisão e multiplicação. Outros 35% estão no patamar do alfabetismo consolidado, mas apenas 10% de toda a população brasileira está no topo, no nível proficiente. Segundo o coordenador da área de educação de jovens e adultos da Ação Educativa, uma das organizações responsáveis pelo indicador, Roberto Catelli, não ter domínio da leitura e escrita gera uma série de dificuldades e é "uma limitação muito grave". Ele defende que são necessárias políticas públicas para garantir maior igualdade entre a população:

— Um resultado melhor só pode ser alcançado com políticas públicas significativas no campo da educação e não só da educação, também na redução das desigualdades e nas condições de vida da população. Porque a gente vê que quando essa população continua nesse lugar, ela permanece numa exclusão que vai se mantendo e se reproduzindo ao longo dos anos.

A pesquisa mostra ainda que mesmo entre as pessoas que trabalham, a alfabetização é um problema: 27% dos trabalhadores do país são analfabetos funcionais, 34% atingem o nível elementar de alfabetismo e 40% têm níveis consolidados de alfabetismo. Até mesmo entre aqueles com alto nível de escolaridade, com Ensino Superior ou mais, 12% são analfabetos funcionais. Há também diferenças e desigualdades entre diferentes grupos da população. Entre os brancos, 28% são analfabetos funcionais e 41% estão no grupo de alfabetismo consolidado. Já entre a população negra, essas porcentagens são, respectivamente, 30% e 31%.

Entre os amarelos e indígenas, 47% são analfabetos funcionais e a menor porcentagem, 19%, tem uma alfabetização consolidada.

Segundo a coordenadora do Observatório Fundação Itaú, Esmeralda Macana, é preciso garantir educação de qualidade a toda a população para reverter esse quadro. Ela defende ainda o aumento do ritmo e da abrangência das políticas públicas:

— A gente vai precisar melhorar o ritmo de como estão acontecendo as coisas porque estamos já em um ambiente muito mais acelerado, em meio a tecnologias, à inteligência artificial — diz. — E aumentar a qualidade. Precisamos garantir que as crianças, os jovens, os adolescentes que estão ainda, inclusive, no Ensino Fundamental, possam ter o aprendizado adequado para a sua idade — acrescenta.

Para desenvolver seus estudos, o Inaf avalia habilidades funcionais nos campos do letramento, do numeramento e do contexto digital que estão organizadas em quatro grupos de habilidades: reconhecer e decodificar; localizar e identificar; compreender e inferir; e avaliar e refletir.  A partir disso, determinou cinco níveis que permitem traçar perfis de indivíduos que vão do analfabeto funcional ao funcionalmente alfabetizado, conforme capacidades e dificuldades. 

Nível 1 – Analfabeto (Analfabeto Funcional)

São consideradas analfabetas as pessoas que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases – mesmo que uma parcela delas consiga ler números familiares como o do telefone, da casa e de preços. Essas pessoas também apresentam muita dificuldade em reconhecer e realizar operações básicas próprias das ferramentas digitais (como ampliação de texto ou imagem, por exemplo) para resolver tarefas simples do dia a dia.

Nível 2 – Rudimentar (Analfabeto Funcional)

A pessoa com alfabetismo rudimentar  é capaz de localizar informações explícitas, expressas de forma literal, em textos compostos essencialmente de sentenças ou palavras, e de realizar tarefas mais básicas que requeiram o uso de ferramentas digitais. Além disso, consegue comparar, ler e escrever números familiares (horários, preços, cédulas/moedas, telefones) identificando o maior e o menor valor e resolver problemas que exploram situações do dia a dia que envolvem operações matemáticas mais elementares. No entanto, não conseguem realizar tarefas do cotidiano que envolvam textos um pouco mais longos e complexos, ou que exijam alguma operação matemática mais elaborada.

Nível 3 – Elementar (Funcionalmente Alfabetizado)

Inclui o indivíduo capaz de selecionar, em textos de extensão média, uma ou mais unidades de informação, observando certas condições e realizando pequenas inferências. Ele também resolve problemas envolvendo operações básicas com números da ordem do milhar, que exigem certo grau de planejamento e controle, e realiza tarefas básicas que exijam o uso de ferramentas digitais. Como também tem condição de comparar e relacionar informações numéricas ou textuais expressas em gráficos ou tabelas simples envolvendo situações de contexto cotidiano doméstico ou social. 

Nível 4 – Intermediário (Funcionalmente Alfabetizado)

Segundo o Inaf, é aquele indivíduo capaz de localizar informação expressa de forma explícita ou não em textos diversos (jornalístico e/ou científico) realizando pequenas inferências. Ele também está apto a resolver problemas matemáticos envolvendo porcentagem e proporção, que exigem critérios de seleção, elaboração e controle. Além disso, o alfabetizado intermediário interpreta e elabora síntese de textos diversos relacionando regras com casos particulares, reconhece evidências e argumentos e confronta a moral da história com a própria opinião ou com o senso comum. Por fim, as pessoas alfabetizadas no nível intermediário reconhecem figuras de linguagem, sinais de pontuação e conseguem realizar procedimentos com várias etapas em ambiente digital para avançar ou concluir uma tarefa.

Nível 5 – Nível proficiente (Funcionalmente Alfabetizado)

A pessoa proficiente elabora textos de maior complexidade (mensagem, descrição, exposição ou argumentação) com base em elementos de um contexto dado e opina sobre o posicionamento ou estilo do autor do texto. É capaz de interpretar tabelas e gráficos envolvendo mais de duas variáveis e está apto a resolver situações-problema relativas a tarefas de contextos diversos e que envolvem diversas etapas de planejamento, controle e elaboração. Espera-se que essas pessoas reconheçam elementos textuais e quantitativos que permitam avaliar indícios para avaliar a veracidade de uma narrativa ou informação, situações que implicam em riscos (vírus, golpes, links, mensagens enviadas, fake news) e elaborem textos (mensagem/post, descrição, exposição ou argumentação) com base em elementos do texto ou contexto dado.








O LEGADO DO PAPA FRANCISCO

Por: Matheus Kennedy


  Faleceu nesta segunda-feira da Oitava da Páscoa, o Santo Padre, o papa Francisco, aos 88 anos de idade. A perda do líder máximo da Igreja Católica foi sentida por todos os fiéis católicos espalhados pelo mundo inteiro e também por pessoas e lideranças ligadas à outras denominações religiosas.
  O cardeal Mario Jorge Bergoglio foi eleito o primeiro papa latino-americano em 2013, depois da renúncia do papa Bento XVI. Argentino de origem, escolheu o nome Francisco, cuja sintonia com São Francisco de Assis iria se mostrar clara ao longo de seu pontificado, marcado pelo estilo humilde, atento aos pobres e à ecologia.
  O papa Francisco se mostrou um verdadeiro reformista da Igreja Católica (apesar de não ter mexido nas doutrinas da Igreja), sintonizando-a para as necessidades e realidades próprias do século XXI. Foi voz dissonante de muitos líderes nacionais quando se colocou na defesa dos migrantes, da necessidade urgente de medidas de combate às mudanças climáticas, na defesa dos pobres, excluídos e marginalizados. Foi o papa que, com coragem, colocou o dedo na ferida nos casos de pedofilia dentro da Igreja, não compactuando com o acolhimento desses escândalos. Foi também o pontífice que mais se mostrou solidário à minorias historicamente marginalizadas pela Igreja, como os divorciados e a comunidade LGBTQIAP+, atiçando a ira das alas conversadoras católicas.
    Com seu jeito simples, carismático e acolhedor, Francisco foi rompendo com protocolos e luxos destinados aos papas. Queria estar junto aos fiéis, receber e dar afeto, carinho e atenção. Um pastor com o cheiro de suas ovelhas, tal como pregava aos bispos e padres católicos do mundo inteiro. Queria uma Igreja em saída, para as periferias geográficas e existenciais. Dar voz e vez às mulheres e leigos nos altos cargos da Cúria Romana. Promover o diálogo interreligioso e defender a paz entre as nações até o fim de sua vida. Mesmo debilitado fisicamente, Francisco foi coerente até o fim. Seu legado é louvável e deve ser preservado pelo seu sucessor.

Adolescência e as questões envolvendo o universo digital

Por: Matheus Kennedy

A série britânica Adolescência (2025) tem dado o que falar entre pais, educadores e especialistas nas questões de infância/adolescência e internet. A trama gira em torno de um assassinato (à faca) de uma menina cometido por um menino de 13 anos, colega da vítima, envolvido em grupos digitais que fomentam o ódio contra mulheres. Outras questões também perpassam a narrativa. Para entender a relação entre adolescentes e o universo digital, entrevistamos a advogada Kelli Angelini, especialista em educação digital.


1- Na série "Adolescência" temos a exposição de meninos ao que podemos chamar de "machosfera", grupos digitais que alimentam o ódio contra mulheres. Que movimentos são esses e como eles cativam os adolescentes?

Podemos dizer que seriam grupos de pessoas ou comunidades online que propagam discursos misóginos e extremistas, incluindo grupos como incels (celibatários involuntários), homens que rejeitam relacionamentos com mulheres e defensores da "masculinidade tóxica" ou de questões das masculinidades. Pessoas que criam ou participam desses grupos podem atrair adolescentes vulneráveis, muitas vezes com problemas de convivência, baixa autoestima, frustrados socialmente, prometendo um senso de pertencimento e identidade e até de vingança. Por meio de linguagem codificada e influenciadores os participantes podem difundir ideais de ódio e desinformação.


2- Adam é filho do policial/investigador do caso Jamie. Na série, há uma cena em que ele explica ao pai o significado dos emojis dentro desses movimentos misóginos. Como essa distância geracional e a ausência de diálogo entre pais e filhos reflete no comportamento dos jovens?

A cena em que Adam explica os emojis ao pai é emblemática: muitos pais não sabem nada do que os filhos fazem ou como se comunicam on-line. Esse abismo entre alguns pais e filhos (friso, não são todos), em que filhos vivem num ambiente digital alheio ao conhecimento da família pode gerar:

Desproteção: filhos passando por situações de vulnerabilidade e violências sozinhos e sem ajuda;

Infrações: filhos praticando ações inapropriadas on-line com a garantia de que não serão descobertos ou sem prever as consequências;

Captura: filhos sendo influenciado a e manipulado por criminosos on-line.

Importante dizer que não devemos culpabilizar os pais, os smartphones permitiram um acesso individualizado à internet pelos filhos, tornando difícil o acompanhamento e monitoramento.

Porém, os pais devem agir, acompanhar o que os filhos fazem online, manter o diálogo constante, sem julgamentos, acolher os filhos quando precisar, especialmente em situações ruins on-line e orientá-los para boas ações on-line.

3- Na série, a escola é um ambiente caótico. Qual é a parcela de responsabilidade dela na educação digital dos alunos? Como ela pode intervir em casos tão extremos?

A escola tem um papel social fundamental, mas não pode ser a única responsável. A escola deve implementar ações de disseminação da educação e segurança digital, bem como capacitar educadores e engajar as famílias. Em casos extremos, como os da série, é necessário um esforço conjunto entre escola, famílias, profissionais da área da saúde (como psicólogos e médicos) e outros. A escola pode atuar com projetos de educação digital, debates sobre uso da internet e problemáticas. Além disso, pode criar canais seguros para que alunos relatem comportamentos problemáticos sem medo de retaliação, sejam decorrentes de situações ocorridas na escola ou fora dela (na internet).


4- A família é ponto nevrálgico da educação/ cuidado com crianças e adolescentes. O que os pais devem prestar atenção no comportamento dos filhos? Como eles podem intervir para que eles não sejam cooptados por movimentos extremistas?


A família é a base da sociedade e pais e mães têm papéis importantes na criação e educação dos filhos. Os pais precisam estar atentos a mudanças de comportamento, como isolamento social, consumo de conteúdos inapropriados e, olhando para a série, rejeição a figuras femininas. O caminho para intervir inclui incentivar o pensamento crítico, estimular conversas sobre respeito e igualdade, monitorar (com equilíbrio) o conteúdo consumido pelos filhos on-line e buscar ajuda profissional quando necessário. Mais do que proibir, é essencial ensinar os filhos a se proteger on-line, buscar ajuda e apoio da família, e agir com respeito no ambiente digital.

Por fim, destaco o artigo 227 da Constituição Federal que menciona que é dever de todos garantir os direitos das crianças e adolescentes e colocá-los a salvo de violências e negligências. Portanto, escolas e famílias exercem papéis fundamentais, mas o governo, as empresas, especialmente as plataformas de redes sociais, também devem atuar na proteção de crianças e adolescentes conforme determina a lei.


DAS EUNICES ÀS FERNANDAS: A GARRA DAS MULHERES BRASILEIRAS
 
Por: Matheus Kennedy

 

    Em pleno Carnaval, o Brasil estava na catarse pela conquista do Oscar inédito com o filme "Ainda estou aqui" na categoria de Melhor Filme Internacional, dirigido por Walter Salles e estrelado por elenco de ponta, protagonizado pela nossa querida Fernanda Torres. A película conta a história de Eunice Paiva e sua luta incessante por respostas depois do desaparecimento/assassinato do marido, o ex-deputado Rubens Paiva, por agentes da Ditadura Militar em 1971.
   Fernanda Torres, nossa Nandinha, é filha da grande Fernanda Montenegro, a dama da dramaturgia brasileira. Talento de mãe para filha expõe a riqueza da herança familiar. Quantas mulheres Brasil afora não levam adiante o legado de suas mães e ancestrais femininas, que lhes moldaram caráter, ofício e vida?
     Mas na vida da mulher brasileira nem tudo são flores. Uma das chagas sociais mais dilacerantes é a violência. A despeito de uma estrutura legal robusta de proteção à mulher, afloram casos e mais casos de assédio, importunação sexual, estupro e feminicídio. O corpo feminino, ainda objetificado, sucumbe nas suas próprias casas, diante dos filhos, pelos (ex) companheiros. Uma verdadeira tragédia!
  Mulheres brasileiras que assumem a maternidade sozinhas encontram um mundo desafiador para criar/educar seus filhos, cuidar das despesas domésticas e ingressar no mercado de trabalho. A rede de apoio, quando há, geralmente é outra mulher (avós, na maior parte) que retomam o exercício do cuidado.
    E se falarmos dos cargos públicos eletivos, das profissões ainda majoritariamente masculinas e da distribuição de papéis sociais entre homens e mulheres veremos que há um oceano a ser atravessado para a plena cidadania, respeito e valorização integral às nossas mulheres. As mulheres ainda estão aqui lutando, resistindo!

Na ficção, a representatividade chegou ao topo da White House 

Por: Maykon Renan 

    Nas últimas semanas, a internet entrou em polvorosa com o grande anúncio de que um novo filme seria lançado em 2025: G20

    Na trama, que é uma das grandes apostas para filmes de drama e suspense da temporada, Danielle Sutton (Viola Davis) é a comandante da "nação mais poderosa" do mundo moderno: os Estados Unidos da América (EUA). Por sentar-se em uma das cadeiras mais cobiçadas por muitos, a POTUS (President of the United States: Presidente dos Estados Unidos) é o principal alvo de criminosos e terroristas que tentam, pela força, usurpar o poder - sem spoiler, leitores. 

    O título do filme é uma alusão ao poderoso grupo dos 20 países mais ricos do mundo: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, República da Coreia, Turquia, União Europeia e União Africana. Os todo poderosos presidentes dos países citados reúnem-se anualmente para tratar sobre temas que sejam úteis e significativos para todos. No filme, é retratada uma dessas reuniões que, na ocasião, ocorre na Cidade do Cabo, na África do Sul e é nesse encontro que acontece o ATAQUE (bem conveniente atacar um local onde os 20 comandantes das nações mais poderosas estejam juntos, né rsrs...).  

    19 líderes presos. 19 países sob ameaça iminente de invasão. 19 vidas correndo perigo. 19 nações com presidentes desconectados do mundo. Se são 20, por que somente 19 estão passando por isso? Bom, graças a astúcia, experiência militar e grande instinto de governança, Danielle Sutton, Presidente dos EUA, consegue escapar e, com a ajuda de alguns integrantes do governo, busca libertar sua família, seu país e também os demais líderes. 

  G20 é um filme de representatividade: uma mulher preta sendo protagonista e, ainda mais, sendo a "salvadora" da harmonia e equilíbrio do mundo - fora o fato de morar na Casa Branca, né, meu povo: isso é só um detalhe kkkk. 

     E aí? Vai assistir? Ficou curioso para saber se ela vai conseguir libertar a todos? Eu estou!!!!!! 

Data de estreia: 10 de abril de 2025 (Prime Vídeo)

A VOLTA TRIUNFAL DE TRUMP

Por: Matheus Kennedy


   Em quatro anos, Donald Trump foi do inferno ao céu. Da invasão ao Capitólio no final do primeiro governo, passando pelas inúmeras investigações e julgamentos, pela tentativa de assassinato em plena corrida eleitoral, até à consagração nas urnas que lhe deram a volta triunfal à Casa Branca, Trump construiu um roteiro digno de filme. Ao assumir pela segunda vez a presidência dos EUA nesta segunda-feira, 20 de janeiro, Trump volta mais experiente, controlador do Partido Republicano, com maiorias na Câmara, no Senado e juízes conservadores em tênue maioria na Suprema Corte, além de bajuladores no governo, tão parecidos em ideias e atitudes quanto o líder americano.
   Enquanto aquecia para entrar em campo, Trump já deu o tom de seu governo em duas áreas: as ideias (tresloucadas?) de expansão/domínio/aquisição territorial e a simbiose com multibilionários das big techs, Elon Musk e Mark Zuckerberg à frente. Até que ponto as insinuações de Trump sobre o Canadá se tornar o 51° estado americano, a Groenlândia ser anexada aos EUA e o Canal do Panamá voltar ao controle americano são blefe ou escondem interesses econômicos e geopolíticos por trás? Vale lembrar que a Europa dos anos 1930 também ridicularizava a Alemanha nazista com seus arroubos expansionistas e deu no que deu. A História recomenda prudência e atenção, principalmente com figuras tão estriônicas e barbarizantes como Trump.
   No campo da tecnologia, a aproximação entre o novo governo americano e as big techs nunca esteve tão evidente. Desde a campanha trumpista, Elon Musk se revelou um soldado de batalha para a internacional da extrema-direita mundo afora, testando limites com tribunais em países democráticos como o Brasil, a serviço, a partir de seu braço X, do compartilhamento desenfreado dos ideais de Trump. Tanto é que ganhou um cargo na máquina burocrática americana. Zuckerberg, por sua vez, deu um cavalo de pau na direção do trumpismo ao dar às favas os programas de checagem de fatos nas redes sociais da Meta (Facebook e Instagram, especialmente) e abraçar o show de horrores de fake news e ataques às minorias que certamente pipocarão em suas redes.
   E assim la nave va.

O impacto do uso excessivo dos celulares na infância 

Por Ruan Vieira

Não sou contra o uso de celular nas escolas ou na infância, mas sou a favor de uma supervisão e monitoramento desse uso. Evidências científicas nos mostram o impacto negativo no uso precoce ou demasiado dos celulares nos cérebros de crianças e adolescentes. Estamos numa era em que a ansiedade é uma febre e o contato excessivo com as telas têm provocado essa febre e outros problemas, como: aumento da miopia, tendência ao sedentarismo, tendência ao isolamento social, perda da atenção, redução do pensamento crítico, hiperatividade e transtorno do sono, transtornos de imagem, alimentares e perda da autoestima, dentre outros e outros prejuízos. Em escolas do Rio, por exemplo, foram identificados o Cyberbullying e o vício em bets e Tigrinho como reflexo negativo do abuso dos celulares por estudantes que, ao invés de estudar e brincar, optam por ficar conectados na internet.

O uso de celulares nas escolas municipais do Rio está proibido desde o ano passado e passou a incluir os recreios e intervalos, não apenas durante as aulas. Conforme o secretário, Renan Ferreirinha, a decisão foi tomada depois de identificada queda de rendimento dos alunos. De fato, o rendimento e a recepção dos alunos diminuem significativamente, isso porque, o celular distrai e atrapalha os alunos a prestarem atenção nas aulas. É como aquele ditado popular nos diz, "Gato com dois sentidos não pega rato", e não pega mesmo!

Outros problemas observados nas escolas do Rio envolvem alunos viciados em Bets e no jogo do tigrinho, além do cyberbullying por meio de aplicativos de mensagens e alunos dispersos gravando ou assistindo vídeos em plataformas como Tiktok e Instagram. No lugar de quadras e pátios cheios com crianças correndo, brincando, interagindo, o que se passou a ver nas escolas foi espaços comuns cada vez mais vazios e silenciosos. Que tempos são estes, não é mesmo?

— A escola é um local de criança estudar, interagir, brincar, correr na hora do recreio, jogar seu futebol, falar com seus amigos, interagir, se fazer presente. Sem celular sobra tempo para estudar e conviver que são dois aspectos fundamentais para o desenvolvimento de qualquer ser humano, especialmente crianças e jovens — resume Ferreirinha.

Em dezembro, a Câmara dos Deputados e o Senado federal aprovaram o projeto de lei que proíbe celulares e outros eletrônicos portáteis em todas as escolas públicas e privadas do país. A exceção fica por conta do uso pedagógico dos aparelhos, mediante orientação de um profissional da educação. Concordo com isto, pois, crianças e adolescentes, bem como alguns jovens, precisam de uma supervisão no que diz respeito a um uso adequado e inteligente dos celulares. É dever dos pais, principalmente, orientar e mediar esse uso.


O GOLPE DESNUDADO

Por: Matheus Kennedy


Depois de quase dois anos, a Polícia Federal finalizou o grande inquérito que investigava a tentativa de golpe no Brasil em 2022, indiciando o ex-presidente Jair Bolsonaro, os ex-ministros Braga Netto, Augusto Heleno, outros tantos militares e aloprados pelos crimes de abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de Estado e organização criminosa. Ainda se cruzam neste inquérito-mãe as investigações sobre as fraudes nos cartões de vacina e o caso das joias sauditas, todos eles a serviço do plano golpista.
Que os pendores golpistas movimentaram, especialmente, os meses finais da gestão Bolsonaro em 2022, após a derrota nas urnas, todos já sabiam. As investigações já apontavam para isso. O que espantou nesta semana foi que, para manter Bolsonaro no poder, de novo, apesar de derrotado nas urnas, não só cogitou-se, como quase foi efetivado um plano macabro para assassinar Lula, Alckmin, recém-eleitos, e Alexandre de Moraes, à época presidente do TSE e inimigo número 1 do bolsonarismo.
Em 1964, uma outra geração de militares golpistas tomaram o poder e mandaram o então presidente João Goulart para o exílio. Em 2022, os golpistas queriam mandar Lula e Alckmin para o cemitério, por envenenamento ou arma de fogo.
Até que ponto esses militares, muitos, aliás, generais de quatro estrelas, se prontificaram à tão baixo nível, sem pudor, descarados, tramarem um golpe de Estado e assassinar figuras importantes da República? Sujaram a farda que vestiam, mandaram para as calendas seus juramentos de respeito à Pátria, derrubaram o respeito que parte da sociedade brasileira ainda tinha para com as Forças Armadas, conquistado à duras penas desde a Redemocratização.
Quanto a Bolsonaro, autocrata em potencial, este sempre teve um pendor golpista. Militar insubordinado, queria explodir quartéis e foi para reserva justamente pela má disciplina. Deputado do baixo clero, berrava por guerra civil e chegou até a defender o fuzilamento do ex-presidente FHC. Como poderia ser diferente na presidência do país? Uma vez golpista, sempre golpista. E não adianta dizer que não sabia de nada, que os planos golpistas eram planejados pelos seus subordinados sem a sua anuência que a PF não é boba e tratou de ligar todos os pontos.
A intentona bolsonarista foi gestada desde o dia 1 de Bolsonaro na presidência. Ainda na pandemia já se orquestravam atos antidemocráticos e fake news contra as urnas que, em 2022, só ampliariam e dariam vazão para o golpe. O 8 de janeiro foi o rescaldo desesperado desses aloprados criminosos. O futuro político e jurídico de Bolsonaro e seus acólitos está nas mãos da Procuradoria Geral da República a quem compete apresentar denúncia ou não. Só depois de apresentada a denúncia, eles se tornam réus e prestarão contas à Justiça. Pelo bem da democracia, que eles queriam solapar, precisam ser punidos exemplarmente.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2024: QUEM GANHA E QUEM PERDE

Por: Matheus Kennedy


No último domingo, 6 de outubro, quase 156 milhões de brasileiros estavam aptos a votar para prefeitos e vereadores nos mais de 5.500 municípios em todo o Brasil. Eleição é exercício da democracia e é sempre louvável exaltar a cidadania através do voto.
Esta eleição consolidou o PSD como o partido com mais prefeituras, foram 878. Em seguida o MDB, com 847 ( há 20 anos atrás, o partido mais municipalista do país), PP, 743, União Brasil com 578, PL, 510 e PT, 248.
Tivemos vitórias acachapantes no 1° turno. Na cidade do Rio de Janeiro e em Recife, Eduardo Paes (PSD) e João Campos (PSB), respectivamente, se reelegeram com um amplo leque de apoios partidários, da esquerda à direita, mostrando que administrações competentes tendem a ser reconhecidas pelo eleitor. Com força própria, não precisaram dar ênfase, por exemplo, ao apoio que tinham do presidente Lula. Se consolidam como potenciais candidatos ao governo dos seus estados em 2026. Campos, particularmente, além disso, se notabiliza como liderança forte no PSB, junto com a sua namorada, Tabata Amaral, representando uma nova esquerda emergente.
Em São Paulo, o fenômeno Marçal foi abatido do 2° turno por uma margem ínfima. Nunes (MDB) e Boulos (PSOL) passaram para o 2° turno e contarão com a polarização Lula×Bolsonaro como ativo para o pleito. A ida de Nunes ao 2° turno representa uma vitória do governador Tarcísio de Freitas, que apostou suas fichas no emedebista, a despeito de Bolsonaro. Os eleitores marçalistas serão o fiel da balança para o próximo prefeito de SP. Conforta que há esperança de que, sem Marçal, teremos uma eleição sem baixarias e vil comportamento nas redes e ao vivo. Quanto ao futuro político do ex-coach, a Justiça decidirá.
Em Fortaleza, PT e PL se enfrentarão no 2° turno com Evandro Leitão e André Fernandes, respectivamente. Uma derrota para Ciro Gomes e o PDT que apostavam na reeleição do prefeito José Sarto.
Em Belém do Pará, Ivo Normando (MDB) e o Delegado Eder Mauro (PL) vão ao 2° turno. O risco de eleger um prefeito bolsonarista com pauta antiambiental na cidade que sediará a COP- 30 em 2025, fez o governador Helder Barbalho engrossar o apoio a Ivo.
Nas capitais que terão 2° turno, são 15, o PL estará em 9 disputas; O PT, em apenas 4. Estas eleições mostraram a força dos partidos de centro e de direita, evidenciando o perfil mais conservador do eleitor brasileiro.

Sim, pais e mães, a sua violência mata

Por Ruan Vieira


Em agosto deste ano, em Ribeirão Preto (SP), uma menina de 3 anos morreu após ser internada com grave lesão cerebral. O laudo do IML apontou que o quadro foi decorrente de trauma por meio cruel. Sophia da Silva Fernandes completaria 4 anos nesta última sexta-feira (13). Ela ficou internada por nove dias na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE) até ter a morte encefálica confirmada. A instituição levou o caso às autoridades por causa dos sinais apresentados por Sophia ao dar entrada na unidade. Ela tinha graves lesões cerebrais, o que levou os médicos a suspeitarem de um episódio de violência. A mãe alegou que Sophia sofreu uma queda acidental. O laudo do IML descarta um acidente e aponta a possibilidade de a menina ter sido agredida. O diagnóstico médico foi de hemorragia subdural aguda devido a traumatismo, que é quando há acúmulo de sangue entre o crânio e o cérebro causado por um impacto na cabeça.

O juiz da Vara da Infância e Juventude de Ribeirão Preto, Paulo César Gentile, avalia que há materialidade para afirmar que Sophia foi morta.

"O laudo necroscópico é uma evidência inconteste de que essa morte não foi acidental, essa menina muito provavelmente, de acordo com o laudo, não morreu em função de uma queda. O laudo de maneira bem objetiva, bem concreta, aponta que ela morreu em função de uma energia muito grande aplicada sobre o corpo, ou seja, ela pode ter sido vítima de um chacoalhão, de um empurrão, de alguém que a tenha jogado no chão, de maneira que existem evidências muito relevantes, muito palpáveis de que essa criança foi morta e não se acidentou."

A perícia destaca, ainda, "que a mãe não teve reações compatíveis com a gravidade do quadro clínico da filha" no primeiro atendimento com assistentes sociais, psicóloga e equipe médica.

"Apresenta postura evasiva e apatia, expressando afeto dissociado diante do contexto de internação da filha e da gravidade do quadro clínico", aponta o documento.

Eu me questiono sobre segurança. Se até mesmo dentro de nossa casa não estamos seguros, quem dirá no mundo afora. Uma mãe como principal suspeita do ato violento é de me surpreender, pois se fosse uma mãe propriamente dita, não agiria assim. No histórico de educação, carinho e cuidado, as mães são as que mais se saem bem, pois são elas que passam 9 meses com o bebê na barriga e são elas também que mais passam o tempo com os(as) filhos(as) dando atenção, cuidado, amor. No entanto, essa mãe que alega que a sua própria filha se acidentou no banho, não demonstra nenhuma empatia para com a situação como se não se importasse com o que aconteceu.

Educar os filhos não tem a ver com violência. A educação que vem de casa deve ser a mais positiva possível. Se uma criança cresce em um ambiente violento, em que ela sofre agressões, essa criança irá crescer com traumas que podem levá-la a replicar a violência ou a se reprimir e continuar sendo vítima de agressões no futuro. Pai, mãe, devem dar amor e carinho aos filhos. Eles têm que dar exemplo e passarem segurança para os seus filhos. Sophia foi mais um exemplo de uma educação falha, ela foi a vítima nas mãos de sua própria mãe que partiu para a violência e esqueceu que o diálogo também é um instrumento para uma boa educação.

A GUERRA ENTRE MUSK E O STF


Por: Matheus Kennedy

 

Quando nuvens pesadas se formam no horizonte é sinal de que vem chuva. Foi assim que a tensão envolvendo o X (antigo Twitter), do multibilionário Elon Musk, e o Supremo Tribunal Federal (STF), na pessoa do ministro Alexandre de Moraes, foi numa crescente que desembocou na suspensão da rede social no Brasil.
É preciso entender esse cabo de guerra não como uma contenda pessoal entre Musk e Moraes. Elon Musk acabou criando todas as condições para que o X fosse suspenso no Brasil, já que, como menino mimado, dobrou a aposta contra a Justiça brasileira, afirmando, em palavras e ações, que não respeitaria as determinações legais para o funcionamento do X no Brasil. Dane-se representante legal e lucros no Brasil, talvez pensou o riquinho.
Do outro lado, Moraes pareceu que caiu no jogo de Musk, que, convenhamos gosta de um espetáculo, ao, por exemplo, intimar o X utilizando a própria rede social. Inovação tecnológica nos processos jurídicos? Não. Parece mais provocação. Tudo o que Elon Musk quer, em sua cruzada à serviço da extrema-direita internacional, é construir a narrativa de perseguido pela justiça brasileira e de que o "Xandão" aspira a ditador.
A Alexandre de Moraes e todo STF cabe à prudência das serpentes. O que diferencia o remédio do veneno é a dose. As redes sociais são espaço para a liberdade de expressão, isso é fato. Suspender ou barrar uma mídia social nunca será agradável em uma democracia.

Meio Ambiente: A Amazônia tem recorde triste em número de queimadas.

A situação da Amazônia é preocupante, o corredor de fumaça afeta outros Estados e a situação pode piorar nas próximas semanas.

Por: Flaviano André


Nessa época do ano, o número de queimadas na Amazônia é sempre alarmante, mas esse ano os dados são assustadores. De acordo com portal de notícias G1, "A floresta registrou 63 mil focos de fogo desde janeiro até agora. O número é o maior desde 2014 e pode aumentar, já que o levantamento é feito mês a mês e agosto ainda não terminou. Toda essa fumaça que cobre a floresta está viajando milhares de quilômetro"


A situação vem formando um corredor de fumaça afetando a visibilidade e causando dificuldade de respirar em outros 10 Estados, são eles: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Amazonas, São Paulo, Acre, Minas Gerais, Mato Grosso, Rondônia e Paraná.

Além do aumento do número de focos de queimada e as queimadas ilegais, a seca tem contribuído de forma intensa para o atual cenário. Ainda de acordo com G1, " a seca, que serve como ignição para os focos de incêndio, somando-se às queimadas ilegais. Geralmente, a estiagem acontece de agosto a outubro, mas o pico acontece em setembro, quando sentimos mais os impactos. No entanto, meteorologistas explicam que ela chegou antes do previsto, ainda em julho."

Para piorar, uma frente fria com ventos pode piorar a situação, espalhando a fumaça por outros Estados e espalhar os focos de incêndio intensificando o número de queimadas.


Tentativa de mascaramente de um tema relevante: a violência doméstica 

Por Maria Oliveira


Recentemente, o filme norte-americano "É assim que acaba" foi lançado no Brasil. Para quem leu o livro, mas também para quem não o leu, esse filme foi baseado no romance da escritora Coolen Hoover e traz como tema central a violência doméstica. Sabe-se que esse assunto é algo sensível justamente por ser uma realidade que muitas mulheres já sofreram e/ou sofrem diariamente. Tratar de um tema assim não é fácil, pois precisa de sensibilidade e senso para não cair em clichês nem falar coisas inapropriadas.

Nesse sentido, há uma polêmica crescendo sobre os atores do filme, especialmente sobre a renomada atriz Blake Lively. No lançamento e em entrevistas, o público vem percebendo uma negligência dela diante de um papel tão importante quanto o de uma mulher que sofreu esse tipo de abuso físico e mental. Por isso, a mídia está criticando o fato de que ela e seu marido estão romantizando esse assunto e esquecendo-se que a temática do filme é algo traumático e não um novo filme da Barbie. Isso porque sabemos que Margot Robbie, quando atuou no filme da Barbie, apareceu várias vezes vestindo-se como a boneca a fim de trazer essa memória que marcou a infância de várias pessoas.

Porém, quando se trata de violência doméstica, essa promoção perde o humor e acaba se tornando algo imprudente, visto que foge da importância do tema em questão. Sendo assim, devemos nos perguntar até onde vai o interesse de alguns famosos de se promoverem para estar sempre nos holofotes. A busca pela fama, como é possível perceber, pode atingir altos níveis de irresponsabilidade e gerar ideias que podem prejudicar ainda mais o tratamento desse problema.

Com as críticas, a atriz chegou a se retratar postando nos stories do seu Instagram uma instituição e incentivando a denúncia.Porém, é necessário se perguntar: a violência doméstica só passou a interessá-la porque estava recebendo críticas?

Romantizar abusos e violência é um deslize que deve ser combatido mediante a leitura crítica de situações como essa. Ter fama, atualmente, é entender que algumas atitudes e ações não devem ser realizadas porque irão influenciar outras pessoas e talvez as consequências nem sempre sejam positivas. Nesse caso, chega a ser um ato que encoraja e legitima a crueldade.

Portanto, saber se posicionar para que se evite o mascaramento ou ocultação dessa violência a fim de que casos assim sejam sempre denunciados. Logo, faz-se necessário fortalecer as redes de apoio e conscientização para todas aquelas que sofrem esse abuso, que apenas serve para mostrar a desumanização de homens que fazem essa perversidade.

PARIS 2024: A OLIMPÍADA DAS MULHERES E O INCENTIVO AO ESPORTE


Por: Matheus Kennedy

 

Os Jogos Olímpicos de Paris foram encerrados neste domingo, 11 de agosto. A próxima edição será em Los Angeles (EUA), em 2028. As Olimpíadas deste ano, especialmente para a delegação brasileira, tem um simbolismo histórico: pela primeira vez, as mulheres foram a maioria dos atletas brasileiros que disputaram as diferentes modalidades olímpicas. Isso se reflete nas conquistas de medalhas. Das 20 medalhas conquistadas pelo Brasil, 12 foram obtidas por mulheres. Os nossos três ouros foram conquistados também por elas: Beatriz Souza (Judô), Rebeca Andrade ( ginástica artística- solo) e a dupla Ana Patrícia/Duda (vôlei de praia). Podemos questionar o número de ouros obtidos, inferior aos de Tóquio, mas não podemos negar que graças às mulheres não tivemos uma redução ainda mais drástica.
O Brasil é um país com números assombrosos de feminicídio e casos de assédio e estupro contra mulheres. Diariamente, nos deparamos com notícias e relatos que expõem essa chega social em nosso país. Ver as mulheres brasileiras, pretas e de origem pobre, em sua maioria, assumirem os lugares mais altos do pódio olímpico nos traz um misto de emoções, mas também deve suscitar nas autoridades políticas e esportivas nos mais variados âmbitos a necessidade sempre premente de investimentos e políticas de fomento ao esporte, nas suas mais diversas modalidades. Investir na base, trazendo crianças e jovens para práticas esportivas em que tenham afinidade e talento, é um passo crucial para o desenvolvimento de futuros atletas de ponta, de alta performance e rendimento, como vemos nos EUA e China, que lideram o quadro de medalhas, capazes de obter resultados satisfatórios no futuro. Rebeca Andrade, por exemplo, é uma atleta criada em projeto social. O esforço quase hercúleo desses atletas e de suas famílias não pode ser o único combustível a mover o sonho desses esportistas.
Viva as Bias, Rebecas, Anas e Dudas deste Brasil! Viva a força, a garra e a perseverança das mulheres brasileiras, olímpicas, medalhistas, de OURO!!

Não à violência. Sim à educação.

Por: Ruan Vieira

A Lei Maria da Penha completou 18 anos nesta última quarta (7). Batizada em referência à farmacêutica cearense que sobreviveu a duas tentativas de assassinato cometidas pelo então marido, a lei 11.340/2006 estabelece que todo o caso de violência doméstica e intrafamiliar é crime. Apesar da lei e das diversas campanhas de conscientização e combate à toda e qualquer violência contra a mulher, a Justiça brasileira, segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), recebe 2,5 mil processos de violência contra a mulher por dia. Isso é preocupante!

Um levantamento obtido pela CNN aponta que foram documentadas 380.735 ações judiciais entre janeiro e maio deste ano no Brasil. Os novos processos pesquisados são referentes aos crimes de violência doméstica contra a mulher, estupro e feminicídio. Foram 318.514 de violência doméstica, 56.958 de estupro e 5.263 de feminicídio em apenas cinco meses.

Já passou a Pré-história, o tempo das cavernas, o homem primitivo precisa ficar no passado. O que necessita ser feito é não apenas conscientizar jovens e adultos, mas também as crianças, porque a violência é uma prática aprendida e ensinada. As crianças, principalmente os meninos, precisam ter uma educação exemplar que lhe ensine o respeito e o diálogo. Se os pais não dão exemplo, se o pai é um indivíduo violento em casa e a criança presencia atos violentos, sejam quais forem, ela irá repetir isso futuramente, ela irá replicar. Faz-se necessário, então, um apoio escolar e um acompanhamento de profissionais para as crianças que estão inseridas em contextos onde a violência contra a mulher é um hábito. Estamos carecas de saber que a educação vem de casa, mas a escola também tem seu papel e a própria sociedade. Conviver em um ambiente onde a violência é praticada e repetida resulta em mais violência.

Parece absurdo, em pleno ano de 2024, ainda precisarmos chamar a atenção de uma sociedade que ainda insiste em cometer os mesmos erros. E é. Para além das punições, investir na educação é sempre bem-vindo. Pitágoras, filósofo grego, lá atrás já nos alertava: "Educai as crianças e não será preciso punir os adultos". Parafraseando o pensamento do filósofo, deixo aqui a seguinte reflexão: "Educai as crianças hoje e não será preciso punir os adultos amanhã".


Atentado contra Donald Trump. Fonte: REUTERS/Brendan McDermid
Atentado contra Donald Trump. Fonte: REUTERS/Brendan McDermid

Atentado contra Donald Trump


Por: Flaviano André


No último dia 13/07 o ex-presidente e atual candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Donald Trump foi vítima de um atentado contra sua vida durante um comício no estado da Pensilvânia.

Com a orelha sangrando e sendo protegido por seguranças do sistema secreto, Trump ainda ergueu a mão e disse "luta" três vezes e foi aclamado pela multidão após a confirmação que o atirador havia sido morto.

O atirador foi morto no local e as motivações para o crime ainda são desconhecidas. Vale ressaltar que algo semelhante aconteceu no Brasil em 2018, quando o candidato à presidência Jair Bolsonaro foi vítima de um ataque durante sua campanha em Minas Gerais. São cenários muito parecidos, candidatos de extrema direita que sofrem ataques próximo as eleições e avançam em notoriedade.

A notícia repercutiu no mundo todo e os internautas comentaram nas redes sociais sobre ser uma jogada de marketing para engajar a campanha do candidato Donald Trump ou sobre ser verdadeiramente um atentado com a intenção de matar o candidato. Independente da motivação, violência nunca será a resposta para um jogo político, assim como afirma o comentarista da Globo News, Marcelo Lins "Agora, com esse atentado, me parece que os prognósticos são os piores possíveis. Violência política não pode ser jamais a resposta para nenhuma questão numa disputa - ainda mais numa democracia, ainda mais num país que é referência como os Estados Unidos."


ELEIÇÕES NA EUROPA E OS PÊNDULOS POLÍTICOS

Por: Matheus Kennedy


Enquanto a Europa desfruta de mais uma edição da Eurocopa em solo alemão, franceses e britânicos vão às urnas para renovar seus parlamentos nacionais.
Na França, que em breve sediará as Olimpíadas 2024, o presidente Emmanuel Macron, de centro, deu uma espécie de "cavalo de pau" ao convocar novas eleições para o parlamento francês, o segundo turno acontece dia 7 de julho, depois que percebeu o avanço da extrema-direita nas cadeira do Parlamento Europeu. O partido de extrema-direita Renovação Nacional (RN), da sempre presidenciável Marine Le Pen e presidido pelo jovem Jordan Bardella, ameaça as forças centristas que dão sustentação ao governo Macron, podendo conseguir a maioria do parlamento e assim indicar o novo primeiro-ministro. Se esse cenário se confirmar, Macron, cujo mandato vai até 2027, terá que conviver com um primeiro-ministro de oposição, que comanda o governo, dando força para a candidatura presidencial de Le Pen no próximo pleito.
Já no outro lado do Canal da Mancha, no Reino Unido, há grandes chances do retorno do Partido Trabalhista, de centro-esquerda, à maioria do parlamento britânico, liderados por Keir Starmer, que pode vir a ser o próximo primeiro-ministro. Desse modo, o Partido Conservador, que lidera o Reino Unido há 14 anos com diferentes premiês, seria defenestrado da Downing Street, onde hoje trabalha o conservador Rishi Sunak.
No período dos conservadores britânicos, o Reino Unido se viu diante da pandemia de Covid-19 e a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Além disso, o Brexit, a saída da União Europeia, representou um grande erro que marca, até hoje, a economia e a memória do povo britânico.
É interessante perceber o movimento pendular das forças políticas no velho continente. Há um sentimento de cansaço e desgaste dos grupos políticos (Macron e os conservadores britânicos) e de suas políticas (muitas vezes impopulares e equivocadas), mas a maneira de contornar esta situação é que diferencia o pleito britânico do francês. Enquanto no Reino Unido, os trabalhistas, que já foram mais radicais, mas agora são moderados em maioria, tendem a voltar ao poder; na França, o avanço da extrema-direita, mais do que um risco para Macron, representa um perigo para o centro democrático. 

Algoritmos de personalização e a crise da democracia atual 

Por: Lídia Antônia

Byung-Chul Han é um filósofo sul-coreano que trata das novas relações entre tecnologia e modernidade que atingem os indivíduos contemporâneos. Em 2022, Han decide falar sobre como o processo de imersão cada vez maior do ser humano no mundo digital é o estopim que marca o fim da democracia, como a conhecemos e publica o livro "Infocracia: digitalização e a crise da democracia".

Dentro da obra, o autor aponta que as redes sociais por serem espaços amplos e de fácil acesso de discussão pode gerar a sensação de pleno debate político, mas não é isso que ocorre dado que os algoritmos dessas Redes nos fecham em subcomunidades dentro da web. Nesse sentido, indico o documentário "O dilema das redes", disponível na Netflix, pois ele explica como são formados os algoritmos de personalização que ameaçam a democracia. Em resumo, esses algoritmos foram criados para traçar um perfil sobre as preferências individuas dos usuários, se utilizando de dados como buscas em navegadores, tempo de impressão em postagens e produtos online, gênero e idade, com o intuito inicial de tornar a experiência do usuário mais interessante, prendendo sua atenção à tela e facilitar o encontro de vendedores, prestadores de serviço e pessoas de gostos semelhantes online. Entretanto, tais aplicações ficaram tão complexas e rígidas que no feed desse usuário não aparece absolutamente nada que esse já não goste ou apoie, pois novas informações e opiniões contrarias a sua ficam retidas pela filtragem da personalização, formando as bolhas de opinião dentro da Web, ou como gosto de chamar, os novos cabrestos digitais.

Segundo Han, essas bolhas fazem sumir o outro. A opinião contrária, que gera debate democrático nas tomadas de cisões. Nesse ponto, as identidades dos usuários e suas teses políticas se confundem em formato de tribos dentro das redes sociais, nas quais os discursos são na maioria das vezes conspiratórios e falsos. E pelo fato das pessoas estarem imersas nesse mar de desinformação acabam nem indo atrás de confirmar em fontes seguras aquilo que sua subcomunidade online está afirmando como verdade, e é esse cenário que nós podemos observar nas urnas de votação para presidente nos Estados Unidos e no Brasil desde 2016.

Para o autor, se continuarmos desse modo, logo a ideia de verdade e de democracia que conhecemos deixará de existir, ficando a cargo da popularidade decidir o que é verdade (por isso as manchetes estão cada vez mais sensacionalistas) e a democracia sendo substituída pela infocracia, que abarcada pela globalização cultural fará desaparecer a necessidade de oposições políticas, pois os algoritmos farão uma hegemonia no pensamento crítico, político e comportamental das pessoas de forma global. Dessa maneira, o que nos resta fazer é resistir consumindo conteúdos diversificados e sempre checar em fontes confiáveis de informação, como artigos científicos e livros de instituições de rigorosas publicações como universidades e órgãos públicos. 

A privatização das praias é um retrocesso social e uma ameaça ambiental

Por: Ruan Vieira

A PEC 3/2022, conhecida como PEC das Praias, voltou a ser debatida após uma audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, na última semana, e o tema repercutiu entre famosos, gerando polêmicas nas redes e uma campanha de votação contra a privatização. O jogador Neymar, associado à polêmica após anunciar uma parceria com uma incorporadora em um projeto anunciado como "Caribe brasileiro" visando áreas entre litorais de Pernambuco e Alagoas, foi duramente criticado pela atriz Luana Piovani e outras celebridades trazendo visibilidade ao tema.

A proposta de emenda constitucional (PEC), em trâmite no Senado, pode vir a permitir a transferência da propriedade de terrenos litorâneos, atualmente sob domínio da União, para estados, municípios e proprietários privados. Outro ponto a ser destacado é que essa PEC em questão quer retirar a obrigatoriedade de pagamento de taxa e imposto à União por proprietários que ocupam essas áreas. Além disso, esses territórios poderiam ser transferidos a entes privados mediante pagamento. No momento, o imóvel é compartilhado entre o morador ou ocupante, que possui 83%, e a União, com 17% da área.

Segundo um levantamento divulgado pelo relator da PEC, Flávio Bolsonaro, o projeto poderia beneficiar pelo menos 521 mil propriedades, caso avance no Senado Federal e seja sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No caso deste último, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que o governo é contra a privatização das praias.

"O governo tem posição contrária a essa proposta. O governo é contrário a qualquer programa de privatização das praias públicas, que cerceiam o povo brasileiro de poder frequentar essas praias", afirmou Padilha.

A PEC das praias é um retrocesso social e representa a privatização e elitização dos acessos à natureza. Essa proposta visa beneficiar a elite com seus caprichos e desfavorecer o povo. Há um filósofo que diz que "a injustiça começou quando o primeiro a se achar dono de uma terra a demarcou". Hoje, isso ainda não mudou. Vivemos em um mundo capitalista que beneficia quem detém e desfavorece os que não têm, todavia, todos nós temos deveres e direitos de acessibilidade, por exemplo, à natureza. Com a tragédia que está acontecendo no Rio Grande do Sul por descaso e desleixo dos governantes, aprovar a privatização das praias é também contribuir para impactos negativos no meio ambiente. A natureza não nos pertence, é o contrário. Para grande parte dos empresários que são a favor, primeiro, vem o empreendimento, o lucro, o resultado do investimento, em segundo plano, vem a preocupação com o meio ambiente.

Alguns dos impactos de uma possível aprovação da PEC incluem impactos na biodiversidade marinha por causa da privatização que pode levar à degradação dos ecossistemas costeiros e marinhos, poluição e degradação ambiental por falta de regulamentação adequada que pode levar a práticas de desenvolvimento imobiliário e turístico que causam poluição da água e erosão costeira, impactos nos manguezais, aumento do impacto em desastres naturais etc.

A CRISE CLIMÁTICA TAMBÉM É SOCIAL

Por: Matheus Kennedy


"A crise climática é também uma crise da cultura e, portanto, da imaginação." A frase do indiano Amitav Ghosh ajuda-nos a enxergar que é impossível dissociar as causas e consequências das mudanças climáticas, cada vez mais intensas e constantes, dos seus impactos sociais.
A tragédia no Rio Grande do Sul, cujo drama temos acompanhado diariamente, evidencia que a ideia de que o meio ambiente e a sociedade/relações sociais seriam categorias independentes, sem reflexos uma na outra, se provou ultrapassada, caduca, totalmente equivocada. Nós todos, seres humanos e natureza, somos parte integrante de um mesmo cosmo chamado Planeta Terra. O meio ambiente é onde vivemos, nos movemos e somos. Não dá para negar ou minimizar a nossa constante interação, para o bem ou para o mal, com a natureza.
Sendo assim, uma tragédia como a do RS não é apenas de ordem climática/ambiental, mas, como bem sabemos, tem seus impactos cruéis sobre vidas humanas, cidades e instalações urbanas. Um verdadeiro desmantelo na ordem social de um estado, o que revela o grau de devastação da hecatombe.
Dessa maneira, quando falamos de prevenção ou minimização dos impactos decorrentes das mudanças climáticas estamos falando também de prevenção e minimização dos danos sociais, sobre vidas humanas, construções e negócios, por exemplo, que se vão facilmente diante de temporais ou vendavais avassaladores.
Os cientistas e especialistas no clima e nas suas mudanças sabem disso; aqueles que estudam planejamento urbano, as ideias de cidades-esponja ou resilientes, idem. Carece o poder público, de forma geral, cair na real e começar a tratar a questão como ela deve ser: cada vez mais urgente e imbricada na vida do povo.

CASO SAMARA FELIPPO E A EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA 


Por: Matheus Kennedy 

Na semana passada, um caso de racismo com a filha da atriz Samara Felippo em um colégio particular da zona oeste de São Paulo ganhou destaque e chamou a atenção para a importância de se repensar o ensino a partir de práticas e ensinamentos antirracistas. Uma de suas filhas teve o caderno furtado, as folhas arrancadas e uma ofensa de cunho racial foi encontrada nele. A atriz abriu boletim de ocorrência por "preconceito de raça ou de cor", e o caso deve ser investigado pela Polícia Civil. 
  Ao colégio Vera Cruz, onde aconteceu o episódio, uma encruzilhada: expulsar as alunas racistas da instituição como defende a atriz ou conversar com os pais dessas alunas que cometeram racismo a fim de educá-las contra essas práticas enquanto é tempo? Eu, particularmente, acredito que nem o radicalismo, tampouco a condescendência com o racismo serão capazes de combatê-lo eficazmente. 
  É preciso compreender plenamente que o Brasil possui um racismo estrutural, incrustado em todas as esferas da sociedade, de tal modo que facilita a sua naturalização no dia a dia. No ambiente escolar não é diferente. Mas a escola, enquanto instituição formadora de cidadãos, é imprescindível no combate ao racismo. Não pode dar de braços a essa questão.
  Sabemos todos (espera-se) que a educação básica no Brasil deve, por força de lei, ensinar/valorizar a história e cultura afro-brasileira e africana, como uma forma de combater o racismo dentro do currículo escolar. Mas só isso não basta. Ser antirracista apenas de palavras ou de catálogo, entendendo o conceito, mas não o colocando em prática em casa e na escola, por exemplo, não traz resultados positivos na educação/formação de nossos filhos/alunos (futuros cidadãos). Para além de conteúdos, a educação antirracista se dá também nas condutas e práticas docentes adotadas pelas instituições de ensino. 
Se não combatermos o racismo na sua raiz com as crianças enquanto estão formando sua personalidade e ideais, será muito mais difícil educar um jovem ou adulto racista que, na maioria das vezes, nem se reconhece enquanto tal. Punir aqueles que praticam o racismo é muito importante e necessário, pois se trata de crime, mas educar, desde já, contra o racismo é evitar essa punição amanhã. 


Com o Bullying não se brinca 

Por: Ruan Vieira

No último domingo, 28/04, foi transmitido no Fantástico mais um caso, mais uma vítima da violência na escola ligada à velha prática de "bullying". Carlos Teixeira (Carlinhos), de apenas 13 anos, que morreu uma semana após dois estudantes pularem sobre as suas costas na Escola Estadual Julio Pardo, em Praia Grande, no litoral paulista, queria "ficar forte" para proteger os amigos menores do bullying, de acordo com a sua mãe, Michele Teixeira.

Ainda segundo ela, o filho sofreu uma agressão física dentro da escola em março, quase um mês antes da agressão. Na ocasião, a família já queria tirá-lo da unidade, mas o garoto não queria sair, pois sendo o maior da turma, queria defender os menores. Carlinhos havia completado 13 anos no dia 7 de abril, dois dias antes das agressões. A família diz que a morte foi decorrente de agressões.

Segundo o pai da vítima, no último dia 9 de abril, a escola mandou chamá-lo e foi informado por uma funcionária que seu filho havia caído da escada. Em casa, o filho começou a chorar de dores e desmentiu a versão da queda, contando que havia sido agredido por dois colegas. Ele disse que foi arrastado para o banheiro, onde foi derrubado por um deles. Os dois pularam sobre as suas costas.

A advogada da família do estudante disse que o pai levou o filho três vezes à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Praia Grande e em todas as ocasiões ele foi medicado e liberado, mas os sintomas se agravaram. Numa segunda-feira, a família decidiu levar o garoto para a UPA Central de Santos, onde ele foi internado e precisou ser entubado. No dia seguinte, foi transferido em estado grave para a Santa Casa de Santos, onde teve três paradas cardiorrespiratórias e morreu.

Os estudantes suspeitos de agredir Carlinhos fazem parte de um grupo que já atacou outro aluno no banheiro da mesma escola, de acordo com a mãe de outro aluno. Ela afirmou ter relatado as agressões aos educadores, que não tomaram providências. O menino conta que não quer mais sair de casa e que está apavorado com o que aconteceu.

A violência nas escolas, com o passar dos anos, tem persistido e aumentado. Em 2023, denúncias de casos envolvendo violência nas escolas subiram cerca de 50%, conforme o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Em 14% das ocorrências, as vítimas são pessoas com deficiência. Além disso, 5% das vítimas são mulheres e foram alvo de violação em função do gênero. O levantamento do MDHC indica ainda que as principais violências no ambiente educacional são de ordem emocional, envolvendo constrangimento, tortura psíquica, ameça, bullying e injúria.

Em janeiro de 2024, foi publicada no Diário Oficial da União, a Lei 14.811/2024 (Lei de Proteção à Infância e Adolescência) que atualiza a nossa legislação, tipificando como crimes as práticas de bullying e cyberbullying. A Lei mencionada define como bullying o ato de "intimidar sistematicamente, individualmente ou em grupo, mediante violência física ou psicológica, uma ou mais pessoas, de modo intencional e repetitivo, sem motivação evidente, por meio de atos de intimidação, de humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais, sexuais, sociais, psicológicas, físicas, materiais ou virtuais". No caso de adultos cometendo bullying contra crianças ou adolescentes, a pena prevista é multa - se a agressão for cometida por adolescentes, eles respondem por meio de medidas socioeducativas nas Varas da Infância e Juventude. Já no caso de crianças, os responsáveis legais são processados.

De qualquer forma, essa prática sistemática é crime e tal violência não se justifica. Com o bullying não se brinca. O caso de Carlinhos e de tantos outros, em pleno ano de 2024, com tais medidas jurídicas publicadas, com tantas campanhas de combate à violência nas escolas, causa-nos bastante indignação. O bullying não é uma bala, mas mata e deixa sequelas pra vida toda. Diga sempre NÃO ao bullying!


A PEC DAS DROGAS E A CRISE ENTRE OS PODERES 

Por: Matheus Kennedy 

  Na última terça-feira, o Senado aprovou em dois turnos a PEC 45/2023, de autoria do presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD- MG) que criminaliza a posse e o porte de drogas ilícitas independente da quantidade. A proposta, que tem a cara de ter sido elaborada e encampada pela bancada da bala, foi levada à plenário pelo próprio Pacheco, a toque de caixa, devendo ser entendida, em cenário mais amplo, como mais um capítulo da crise entre os poderes da República que avançou mais uma página na semana passada.
  Assim como na questão do Marco Temporal, no final de 2023, o Congresso Nacional (aqui especialmente o Senado) resolveu se antecipar ou dar uma resposta ao Supremo Tribunal Federal (STF) que havia colocado em pauta o julgamento da descriminalização do porte da maconha para uso pessoal, estabelecendo a distinção necessária entre usuário e traficante. O julgamento que estava em 5 X 3 a favor da descriminalização foi interrompido com o pedido de vista do ministro Dias Toffolli. Com a interrupção, os senadores viram a oportunidade de se antecipar à Suprema Corte e legislar sobre o assunto. O Congresso, dia sim e outro também, reclama do chamado ativismo judicial e do papel legislador do STF. (Uma observação necessária: o STF só estava julgando a descriminalização da maconha devido à omissão dos parlamentares sobre a questão).
  A aprovação da PEC das drogas, em ano eleitoral, é mais um artifício lançado pelos parlamentares para agradar os seus eleitores, principalmente na seara dos assuntos de segurança pública, pauta que certamente terá seu peso nas eleições municipais em outubro. Como cunhou o jornalista e colunista d'O Globo, Bernardo Mello Franco, a aprovação desta PEC se trata de "populismo penal", na medida em que angaria(?) pontos junto ao eleitorado, mas desconhecendo ou negligenciando seus impactos nos cenários sociais e de segurança pública, por exemplo.
  Especialistas concordam que a PEC das drogas agrava o cenário atual de violência, encarceramento e desigualdade social, pois, ao contrário do que pensa até aqui o STF, não há distinção e conduta diferente quanto aos usuários, sendo todos envolvidos num mesmo caso. A situação se deteriora se pensarmos que jovens negros, pobres e moradores de periferias são os alvos preferenciais de abordagens policiais equivocadas, quando não de mortes e detenções arbitrárias.
  Na contramão de outros países, a política de drogas no Brasil, a depender dos senadores, não a tomará como questão de saúde pública e passará longe da descriminalização como meio de incentivo ao tratamento contra o vício e as perseguições policiais constantes. É mais uma demonstração de um discurso truculento caro à extrema-direita.

 

PODER, POLÍTICA E REDES DIGITAIS

Por: Ruan Vieira


"A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa".

- George Orwell


Nos últimos dias, um assunto tem repercutido nas redes e no mundo: o embate entre Elon Musk, dono do atual X (antigo Twitter), e Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse acontecimento levanta, dentre outras coisas, um questionamento a respeito da existência ou não de fronteiras políticas e digitais e abre uma discussão acerca da influência midiática nesse mundo tão globalizado e polarizado em que vivemos.

A epígrafe que abre esse artigo, do escritor George Orwell, autor de livros como "1984" (distopia) e "A Revolução dos Bichos" (romance satírico), correlaciona marca-mídia-massa como um processo que se repete e assim se mantém feito um ciclo. A influência, o alcance, das mídias, nesta era digital, é muito grande e, muitas das vezes, aliena o modo de pensar, de vestir, de comer, de comportamento dos telespectadores. As redes sociais são usadas como ferramentas e servem de vitrine para conflitos de interesse, de ego, de poder. Elon Musk é um exemplo disso. Ele se utiliza do seu poder tanto financeiro quanto midiático para fomentar discussões políticas, jurídicas e sociais.

"Desde o último sábado, 6, o Brasil entrou no raio de ataques apelativos do bilionário, que divulgou um post na sua rede acusando a Justiça de violar o Marco Civil da Internet por meio das decisões de suspensão de perfis. Em seguida, Musk subiu o tom e prometeu não cumprir as ordens judiciais vindas do ministro Alexandre de Moraes, do STF, desafiando-o a se demitir ou se sujeitar a um processo de impeachment. O magistrado reagiu prontamente: tornou o bilionário um dos alvos do inquérito das milícias digitais que está aos cuidados do magistrado, no Supremo. Mesmo assim, o dono do X não apenas não se intimidou como não baixou o nível dos ataques. Na segunda, 8, chamou Moraes de "ditador do Brasil" e o acusou de influenciar o resultado das eleições de 2022 em benefício de Lula. O magnata chegou a dizer que o ministro tem o presidente "na coleira" e que, por isso, o petista nada fará contra ele." (VEJA, abril de 2024)

O Twitter é uma rede social conhecida por ser um "tribunal de julgamentos", onde os usuários, em sua "liberdade de expressão", fomentam cancelamentos e ataques que promovem a cultura do ódio. Há um ditado que diz que "política, futebol e religião", não se discutem, mas nessa plataforma, atual X, do bilionário Elon Musk, assuntos políticos são bem discutidos entre apoiadores da direita contra apoiadores da esquerda e vice-versa trazendo à tona um duelo de ideologias e posicionamentos. O embate entre o ministro do STF e o magnata envolve uma questão de "poder", "soberania" e se tornou uma queda de braço entre o dinheiro e a justiça.

Se perguntam "De que lado você está?", muitas pessoas irão responder que estão do lado do Elon Musk. Acho que a questão aqui não é essa. Um capitalista está preocupado em atingir os seus objetivos e obter lucros. O bilionário voltar as suas atenções para o Brasil não é por acaso, a sua atenção não está voltada para o ministro, esse assunto veio à tona como uma fumaça para encobrir algo mais profundo envolvendo interesses próprios. A massa, acompanhando a mídia, foca apenas no embate e entra em debate. No entanto, ninguém está acima da Lei, nem o bilionário, nem o ministro, nem o povo.

Uma regulação de dados se torna necessária para evitar que uma discussão na internet ganhe uma proporção maior fora da internet causando consequências graves. Estamos em um momento político delicado. De um lado, vemos esquerdistas do lado de um direitista discutindo com outros esquerdistas. Do outro lado, vemos direitistas do lado de um esquerdista discutindo com outros direitistas. As redes sociais servem como instrumentos para criar e/ou compartilhar conflitos. Enquanto uns ganham com isso, outros perdem e perdem muito. Não há fronteiras digitais e políticas, mas é preciso.


Debate na Mesa

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Somos um coletivo formado por diversos estudantes de ensino superior de cursos distintos. Nos dedicamos a discussão de assuntos variados: educação, cultura, política, sociedade, saúde e outros. 

 

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